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Após meio milhão de transplantes em 25 anos, Brasil tem 45% de recusa em doação de órgãos

por Redação Capital Brasília
21 de janeiro de 2026
em Brasil, Política
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Após meio milhão de transplantes em 25 anos, Brasil tem 45% de recusa em doação de órgãos
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As semanas passam e a cada nova consulta, a expectativa é renovada. Para quase 82,7 mil brasileiros, olhar a tela do celular à espera de uma ligação que pode nunca chegar faz parte de uma rotina de esperança, em que o tempo só vale menos ouro que uma palavra: compatibilidade.

Esse contingente de pacientes à espera de um órgão faz parte de uma fila que cresce mais rapidamente do que a estrutura pública do país, a maior em todo o mundo, consegue atender. Apenas em 2025, foram mais de 22 mil transplantes de órgãos e tecidos. O Sistema Único de Saúde (SUS) concentra 86% dos procedimentos e só faz menos procedimentos, em números absolutos, que os Estados Unidos.

Um conjunto de fatores impede o avanço dessa rede no Brasil, mas alguns saltam aos olhos. Duas das 27 unidades federativas, Amapá e Roraima, sequer realizam, até o momento, esse tipo de procedimento. Além disso, o principal entrave para dar início ao desafio dos transplantes permanece ao longo dos anos: a recusa das famílias, 45% dos casos. Mesmo quando há a aceitação, muitas vezes a janela para aproveitamento dos órgãos acaba perdida. Em 2024, por exemplo, apenas cerca de 27% dessas notificações se converteram em doações efetivas, pouco mais de uma em cada quatro abordagens de familiares de potenciais doadores.

“Eu ouvi muito: ‘pra sua filha viver, alguém teve que morrer?’”, lembra, com pesar, a dona de casa de São Paulo Pollyana Guedes, 40. “Isso é falta de informação”, reclama. A filha, Pietra, aos 4 anos, se tornou o caso de pessoa mais jovem do país a receber um transplante de pulmão. “Disseram que era a única chance dela de sobreviver”, lembra. Ver a menina hoje, um ano após o procedimento, correndo, brincando e tendo experiências básicas de vida, antes improváveis, emociona a mãe, que defende que falta clareza no tratamento do tema, o que faria menos famílias dizerem não. “Uma família, mesmo na dor, disse sim. E esse ‘sim’ salvou a vida da minha filha”, conclui.

Pollyana diz que tenta não focar nos comentários desinformados que alegam que para sua filha viver, outra criança teve que morrer e agradece a solidariedade de uma família em momento de dor: “Esse sim salvou a vida da minha filha”.

A solidariedade é o primeiro passo para reconstruir histórias e desfechos de saúde nesses casos. Para quem consegue receber um órgão, a cirurgia não encerra o processo: começa uma nova rotina marcada pelo uso diário e permanente de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição, acompanhamento médico constante e cuidados contínuos para prevenir infecções. A Agência Pública analisou dados dos últimos 25 anos do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) para apontar como o acesso avançou de forma desigual entre as regiões e o impacto da recusa familiar ao longo dos anos.

A fila para aguardar um órgão no país é extensa, principalmente diante da necessidade de rim ou córnea, cujas filas são maiores, mas que também respondem por mais de dois terços dos procedimentos realizados. Ainda que bem mais numerosos do que há 25 anos, coração, pâncreas e pulmão seguem quase exceções dentro de um sistema que ainda não consegue transformar seu potencial em acesso universal.

Além das doações que podem ser feitas em vida e que o doador pode se regenerar, exemplos do fígado e da medula, muitos órgãos podem ser reaproveitados após o falecimento de um paciente. Nem todos os estados estão equipados para coletar tudo, já que até mesmo ossos e pele podem ter serventia para tratar novos pacientes. No entanto, em geral, um mesmo paciente pode beneficiar até oito pessoas, segundo o SNT. São as chamadas “doações múltiplas”.

16/01/2026. Credito: Teresa Maia - 25 anos da regulamentação do transplante de órgãos. Família de Dyego Henrique da Silva Paris., que faleceu em 2023 em decorrência de um AVC hemorrágico.. Na foto, Iranildo Paris de Souza (pai), Maria da Conceição Roque da Silva de Souza (mãe), Pedro Henrique da Silva Paris (irmão).
Ceça admite que, no primeiro momento, recusou a doação de órgãos, mas foi lembrada pelo marido e pelo filho mais novo que essa era a vontade de Dyego.

Maria da Conceição Roque da Silva de Sousa, a Ceça, de 48 anos, em 2022, perdeu o filho Dyego, então com 25 anos, um ano antes da data em que ele iria se casar, no Recife. O que foi tratado inicialmente como uma simples enxaqueca, após uma convulsão, se mostrou um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico extenso. O jovem chegou a ser entubado no Hospital da Restauração, referência em trauma em Pernambuco. “A médica avaliou ele, tudinho lá, eles fizeram vários testes, que eles fazem para ver se ele tinha chance, se ele reagia. Mas ela me chamou, e disse que realmente ele tinha tido morte cerebral”, recorda a técnica de enfermagem e agente comunitária de saúde.

A confirmação da morte encefálica pôs fim à esperança de reversão da família. Antes de receber o diagnóstico final, Ceça começou a receber ligações sobre a possibilidade de doação, mas, no meio do choque, e desconfiada, recusou. “Eu fiquei muito com receio, sabe? Eu fiquei pensando: ‘meu Deus, esses órgãos, será realmente que vão ser doados ou vão ser vendidos?’”, confessa. Mas o marido e o filho mais novo a lembraram de uma reportagem, assistida em família, sobre doação de órgão e o quanto Dyego havia deixado claro sua vontade. “Vamos fazer a vontade dele. Se esse era o desejo dele de abençoar outras vidas, que seja feita”, resumiu Ceça, que diz que a doação não apagou a dor, mas mudou sua forma de conviver com a ausência e atravessar o luto: “Eu sei que tem uma partezinha do meu filho em vários lugares, sabe?”.

16/01/2026. Credito: Teresa Maia - 25 anos da regulamentação do transplante de órgãos. Na foto, Maria da Conceição Roque da Silva de Souza, mãe de Dyego Henrique da Silva Paris., que faleceu em 2023 em decorrência de um AVC hemorrágico.
Ceça se emociona ao lembrar do filho Dyego, que faleceu em novembro de 2022, exatamente um ano antes da data que ele iria se casar.

A corrida contra o tempo dos transplantes

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Momento-chave: Após o diagnóstico de morte cerebral, é preciso notificar os familiares. A comunicação deve ser imediata, para garantir transparência e viabilizar as doações.

É o prazo para coletar o coração. Extremamente sensível à falta de oxigênio, o órgão precisa ser transplantado rapidamente após a retirada.

É o prazo para coletar o pulmão. Sensível a danos por falta de circulação, o órgão demanda retirada e implante em curto espaço de tempo.

Fígado e pâncreas suportam período maior fora do corpo, por ter tolerância intermediária à isquemia, o que permite transporte interestadual. O intestino, por risco de contaminação e falta de oxigênio, tem que ser transplantado rapidamente.

É o prazo para coleta dos rins. Órgão mais resistente à isquemia, permite maior janela para transporte e compatibilização.

A córnea pode ser coletada em até 14 dias. O tecido pode ser preservado em bancos de olhos, desde que mantido em condições controladas.

Uma mesma demanda no país, várias realidades

O Brasil realizou 528.255 transplantes entre 2001 e 2025. A série histórica do SNT mostra que o sistema de transplantes cresceu de forma contínua no Brasil, mas de maneira desigual entre as regiões.

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Em 2023, o Sudeste já registrava 22,2 doadores efetivos por milhão de habitantes, mais de três vezes a taxa do Norte, 6,9 doadores por milhão. A maior evolução ficou por conta do Nordeste, que registrava apenas 1,6 doador por milhão em 2001 e chegou a 12,7 em 2023. Em todo o país, entre 2001 e 2025, a doação de rins se manteve como a mais frequente no país.

Mesmo regiões historicamente menos atendidas exibiram avanços significativos ao longo dos anos. No caso dos rins, no Maranhão e na Bahia, o crescimento foi de 1.200% e 717%, respectivamente, ao longo de 25 anos.

No quesito doações múltiplas, o Brasil atingiu picos nos anos de 2016 e 2019. Ao longo dos últimos 25 anos, mais de dois terços desse tipo de doação se concentraram nas regiões Sul e Sudeste, com São Paulo liderando de forma isolada.

Nos últimos cinco anos, o estado chegou a registrar mais de 500 doações múltiplas em um único ano, enquanto mais da metade das demais unidades da federação fizeram menos de 20 desses procedimentos por ano.

“A gente tem uma evolução constante, com técnicas diferentes de preservação de órgãos, [como] as máquinas de perfusão, que aumentam o tempo de preservação e o número de órgãos que a gente consegue usar hoje em dia”, explica o cirurgião especialista em transplantes pediátricos José Sampaio.

À Pública, o Ministério da Saúde atribui o crescimento dos transplantes a uma combinação de investimentos estruturais e mudanças operacionais. Entre as medidas, cita ações voltadas a “ampliar o acesso, qualificar serviços e modernizar processos”, além de iniciativas para reorganizar a alocação de órgãos e otimizar a compatibilização entre doadores e receptores.

Sobre a queda das doações múltiplas e dos transplantes a partir de 2020, o ministério associa o recuo diretamente à pandemia, que “afetou a capacidade assistencial, fluxos hospitalares e a realização de procedimentos eletivos em todo o país”, mas que “com a normalização gradual dos serviços, o sistema voltou a apresentar crescimento e recuperação nos anos seguintes”.

Segundo publicação da secretária de saúde de Roraima, o estado realiza apenas a captação de órgãos, mas os transplantes atualmente são realizados em outras unidades federativas. A gestão estadual alega estar incentivando a doação, com esforços para qualificar cirurgiões locais e ampliar a capacidade de atendimento, mas alegam limitações logísticas para que procedimentos envolvendo órgãos como rim e fígado ainda não sejam feitos em unidades locais de saúde.

Procurada para responder sobre os prazos e planos para início da realização dos transplantes nos estados, a secretaria de saúde de Roraima ainda não respondeu aos questionamentos da reportagem. Do mesmo modo, a secretaria de saúde do Amapá também foi procurada pela Pública, mas, até o momento, não prestou esclarecimentos. Em caso de manifestação, este espaço será atualizado.

  • 19/01/2026. Credito: Teresa Maia - 25 anos da regulamentação do transplante de órgãos. Na foto, Mateus Miranda da Silva, realizou transplante de córnea no olho esquerdo em 2024, e aguarda na fila para realizar o procedimento do olho direito.
    Matheus recebeu um transplante de córnea que o permitiu voltar a enxergar depois que a visão foi comprometida pelo ceratocone.
  • 19/01/2026. Credito: Teresa Maia - 25 anos da regulamentação do transplante de órgãos. Na foto, Mateus Miranda da Silva, realizou transplante de córnea no olho esquerdo em 2024, e aguarda na fila para realizar o procedimento do olho direito.
    Matheus recebeu um transplante de córnea que o permitiu voltar a enxergar depois que a visão foi comprometida pelo ceratocone.

O olhar à frente

O estudante Matheus Miranda enfrentava dificuldades na escola e em tarefas cotidianas. “Mesmo sentando na frente [na sala de aula], eu não enxergava, ficava tudo embaçado. Eu tinha que ficar pedindo autorização para o professor para eu tirar foto do quadro.[…] Eu tenho problema nos dois olhos, só que o esquerdo era o mais grave. Se eu ficasse só com o olho esquerdo aberto, ficava tudo embaçado e meio que uma mancha branca. Não conseguia enxergar”, conta o garoto, hoje com 17 anos, diagnosticado com ceratocone em estágio avançado e que hoje enxerga após um transplante conquistado após 15 meses na fila de espera.

Entre os tecidos transplantados, a córnea ocupa um lugar singular. Trata-se do procedimento mais realizado no país, impulsionado por características específicas: cada doador pode beneficiar até duas pessoas, não há exigência de compatibilidade sanguínea e o transplante não demanda o uso contínuo de medicamentos imunossupressores. Em 2025, mais de 13 mil transplantes do gênero foram realizados no Brasil. Um total de 34 mil pessoas ainda esperam na fila hoje.

Segundo o especialista em oftalmologia e técnico em banco de olhos Alexandre Roque, a doação de córnea enfrenta menos barreiras técnicas, mas esbarra em desinformação. Ela só pode ser retirada após a parada cardíaca e não depende da morte encefálica. “A maior parte das doações de córnea acontece com o coração já parado. É o inverso da doação de órgãos”, explica. Isso significa que mais casos de pacientes podem realizar a doação.

Ele ressalta que o procedimento não deixa marcas visíveis. “Não fica buraco, não fica roxo, não muda nada. No velório, ninguém percebe que houve doação”, afirma. Por isso, a retirada não impede cerimônias com caixão aberto, um dos principais receios das famílias. Outro ponto destacado por Roque é que o receptor da córnea não necessariamente precisaria usar imunossupressores por toda a vida, já que se trata de um tecido avascular, sem vasos sanguíneos ou linfáticos, o que torna o pós-operatório mais simples.

Os consentimentos que não vêm

Temor de deformações corporais, receio de tráfico de órgãos, motivos religiosos, incertezas sobre o desejo do ente querido ou simplesmente incapacidade de tomar decisão dentro de tempo hábil para que uma coleta seja feita. Estas são apenas algumas das razões que a cultura da desinformação desperta e que são verificadas durante a notificação familiar de uma potencial doação.

Embora o SNT exista desde o fim da década de 1990, os registros sobre negativas passaram a ser consolidados de maneira mais sistemática apenas a partir de 2013, quando os dados começaram a ganhar maior padronização e cobertura nacional, mas pouco mudou no país ao longo do tempo.

Em 2025, a taxa nacional de recusa familiar segue situada em 45%, patamar semelhante ao observado ao longo da última década. Em 2013, primeiro ano da série padronizada, a recusa era de 47%.

Regionalmente, as maiores taxas de recusa se concentram, de forma recorrente, no Norte e Nordeste, onde diversos estados operam, em diferentes anos, acima de 60% de negativas. No histórico, a maior taxa já registrada foi no Maranhão, em 2023, quando 88,9% das famílias notificadas disseram não à doação de órgãos.

Na outra ponta dessa equação, o Paraná se destaca no quesito aceitação. O estado saiu de taxas superiores a 70% de negativas em 2014 e, desde 2018 passou a operar com rejeição familiar limitada entre 25% e 30%.

Segundo especialista, o avanço no estado não veio de uma medida isolada, mas de um processo cumulativo. “Foram resolvidos, um a um, problemas de logística para as equipes de captação, a oferta de exames para confirmação da morte encefálica em qualquer cidade e horário, a liberação dos corpos pelo IML e o rastreio ativo de potenciais doadores nas UTIs”, diz. “Quando essa conversa é feita com método, com treinamento adequado e no tempo certo, a taxa de aceitação tende a ser muito maior”, completa.

A persistência de mitos sobre morte encefálica e tráfico de órgãos também aparece como fator estruturante da recusa. Apesar de o Brasil adotar um dos protocolos mais rigorosos do mundo para confirmação da morte cerebral, a desinformação segue presente e influencia decisões no momento mais sensível. “O processo brasileiro é extremamente seguro, até excessivamente conservador, mas isso é pouco comunicado à população. As pessoas têm medo porque não confiam no processo, não porque ele seja falho”, expõe o cirurgião.

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São Paulo, o estado com o maior número absoluto de transplantes, registrou recusa de familiares na casa de 40% em 2025, um pouco abaixo da média nacional.

Para Sampaio, a recusa familiar não pode ser tratada apenas como uma decisão individual, mas como o reflexo de um sistema desigual. “O problema da doação é universal: você nunca vai ter órgãos suficientes para atender toda a demanda. Mas todos os esforços possíveis precisam ser feitos para que o número de doadores seja o maior possível, em todos os estados, e não apenas em alguns poucos lugares do país”, afirma. “Até lá, o que falta não é boa vontade das famílias, mas informação, estrutura e a capacidade do Estado de garantir que esse sistema funcione com qualidade em qualquer lugar do país”.

Em nota, o Ministério da Saúde afirma ter investido em estratégias como a Prova Cruzada Virtual, a reorganização das regiões de alocação de órgãos e a criação do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot), voltado à “qualificação das equipes hospitalares e à melhora do acolhimento às famílias”. Em 2025, acrescenta, foi lançada “ação e campanha nacional para enfrentar a recusa familiar”, com foco em estimular que as pessoas comuniquem à família o desejo de serem doadoras.

Legislação sobre transplantes segue na UTI

Combater o problema da recusa familiar cabe também aos legisladores. A recusa padrão foi embutida na própria lei dos transplantes. Em 1997, o Brasil adotou o consentimento presumido, o que significava que todos seriam doadores, salvo em casos de registro de oposição em vida, em outras palavras, seria preciso se declarar não doador para que os órgãos não fossem reaproveitados no SNT, em caso de viabilidade de salvar vidas de terceiros.

A regra foi revogada ainda no início dos anos 2000. Desde então, a doação só ocorre com autorização da família. Isso significa que, mesmo se declarando doador de órgãos, até quando há a vontade expressa em documentos oficiais, a decisão de doar ou não cabe ao familiar mais próximo.

O tema volta e meia ressurge no Congresso, ainda sem avanços. No Senado, ao menos três projetos tratam do assunto.

O Projeto de Lei (PL) 4.679/2025, o mais recente entre as propostas sobre o tema, foi apresentado pelo deputado federal Covatti Filho (PP-RS) e retoma a ideia do consentimento presumido para doação de órgãos e tecidos após a morte. Ainda em fase inicial de tramitação, a proposta também endurece as penas para crimes relacionados ao descumprimento da legislação de transplantes e reforça atualizações em informação e transparência. “A iniciativa fundamenta-se na necessidade urgente de atender à crescente demanda por transplantes”, justificou Filho.

O PL 3.176/2019, de autoria do senador Major Olimpio (então PSL-SP), já propunha recriar o consentimento presumido para maiores de 16 anos. O PL aguarda inclusão na pauta da Comissão De Constituição E Justiça (CCJ) do Senado desde abril de 2024. “A legislação tem o dever de prezar não só pela garantia da integridade e dignidade físicas da pessoa humana, como também de facilitar a captação e distribuição de órgãos no Brasil, para que, respeitando eventual manifestação de vontade em contrário da pessoa, possibilite salvar vidas”, afirmou o senador na proposta.

Enquanto isso, o PLS 405/2012, do senador Humberto Costa (PT-PE), exigia que a recusa constasse no documento de identidade, mas a proposta acabou arquivada ao final da legislatura, em dezembro de 2022, nos termos do Regimento Interno do Senado. Na justificativa, o autor sustentava que “a doação presumida não obriga ninguém a doar, mas estimula que a discussão sobre o tema seja feita, ao requerer de cada cidadão a tomada de decisão, o mais precoce possível, quanto a ser ou não um doador de órgãos”.

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