Capangas armados invadem fazenda em disputa judicial e ameaçam idosa de 79 anos em Alagoas

Homens ligados à Amorim Barreto e ao empresário Bruno Castro alegaram agir “por ordem do juiz” e afirmaram “mandar nele”; retirada só ocorreu após chegada da Polícia Militar

A disputa judicial envolvendo a Fazenda Vale do Catolé, imóvel avaliado em cerca de R$ 300 milhões e vendido por R$ 2,6 milhões no curso de um inventário que se arrasta há quase 25 anos, ganhou um contorno ainda mais grave nesta semana. A família proprietária denuncia que capangas armados ligados à empresa Amorim Barreto e ao empresário Bruno Castro invadiram a área e ameaçaram a matriarca da família, uma idosa de 79 anos, que reside no local há décadas.

Segundo relatos da vítima e de testemunhas, os homens chegaram à propriedade portando armas de fogo, adotaram postura intimidatória e afirmaram agir “por ordem do juiz”, chegando a declarar que “mandam nele”, numa tentativa explícita de coação.

A invasão só foi interrompida com a chegada da Polícia Militar, acionada diante do risco iminente à integridade física da moradora. De acordo com o registro da ocorrência, os invasores se recusavam a deixar o local e só recuaram após a apresentação de uma escritura pública atualizada, que comprova a posse legítima da fazenda pela família.

O episódio ocorre poucos dias após outra entrada não autorizada na mesma propriedade, desta vez por pessoas identificadas como ligadas ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que realizaram demarcações às margens da BR-316 sem consentimento dos proprietários. Na ocasião, dois homens permaneceram na área em atitude de vigilância e só se retiraram após intervenção direta da própria idosa.

A defesa da família afirma que os fatos configuram invasão de propriedade, ameaça, coação e possível porte ilegal de arma, e que os envolvidos deverão responder criminalmente. Advogados alertam ainda que o Estado poderá ser responsabilizado caso qualquer dano venha a ocorrer à idosa, uma vez que as autoridades já foram formalmente comunicadas sobre as sucessivas tentativas de ocupação da área.

O caso também reforça os questionamentos em torno da venda da fazenda, considerada desproporcional pelos herdeiros. A família informa que já tramita no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o procedimento nº 0009421-67.2025.2.00.0000, no qual são questionadas a condução do inventário e a atuação do inventariante dativo, servidor do próprio Tribunal de Justiça de Alagoas, apontando possível conflito de interesses.

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