Caso raro: menino nasce com uretra invertida no pênis

Um bebê de 6 meses foi diagnosticado com uma condição rara em que a uretra (o canal por onde sai a urina) se desenvolve na parte superior do pênis ao invés da ponta. O caso foi descrito por médicos do Hospital Especializado Abrangente Ayder, na Etiópia, em um artigo publicado em dezembro na revista Urology Case Reports.

A epispádia acompanhada de prepúcio intacto é uma condição extremamente rara, com apenas um caso a cada 120 mil nascimentos. Apenas 22 casos foram relatados até hoje e oito com prepúcio intacto fimótico. Os médicos apontam que o pênis com aparência normal pode mascarar o diagnóstico, resultando na identificação tardia ou podendo nunca ser descoberta.

“Este caso ressalta a importância de uma avaliação minuciosa durante a circuncisão para evitar que diagnósticos potenciais passem despercebidos”, apontam os médicos no artigo científico.

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Entenda o caso

O bebê foi circuncidado logo no primeiro mês de vida, um procedimento cirúrgico considerado comum, para remover a pele que cobre a cabeça do pênis, deixando a glande exposta. Meses depois, no entanto, os médicos notaram que o procedimento não se mostrou eficaz. A fimose  não havia sido retirada completamente, mantendo o excesso de pele.

Ao fazer uma nova avaliação para a operação de correção, a equipe médica encontrou algo inesperado escondido pela fimose: uma malformação congênita rara conhecida como epispádia penopúbica, em que a uretra nasce na parte superior do pênis ao invés da ponta.

“O prepúcio (excesso de pele) apresentava fimose acentuada, impossibilitando a retração e a visualização da glande. Após a retração do prepúcio sob anestesia, observou-se epispádia penopúbica com placa uretral ampla e saudável”, explicam os autores do estudo.

Exames pré-cirúrgicos para avaliação do sistema urinário indicaram que os rins funcionavam adequadamente e não havia outra malformação associada.

Um mês após o diagnóstico, o menino passou por um novo procedimento com a técnica cirúrgica Cantwell-Ransley, utilizada para correção em casos de epispádia. A operação teve como objetivo reconstruir a uretra, corrigir a posição da abertura urinária, além de melhorar o alinhamento e a estética do pênis.

Nenhuma complicação pós-operatória foi observada e três meses após o procedimento, a correção permaneceu estável, a aparência estética do pênis melhorou e a micção em jato único estava normal.

Para os médicos do Hospital Especializado Abrangente Ayder, o caso demonstra a importância da realização de exames cuidadosos no pênis antes de circuncisões para a detecção de possíveis anomalias congênitas.

“A avaliação minuciosa da anatomia genital antes da circuncisão é essencial para evitar diagnósticos errôneos e intervenções cirúrgicas desnecessárias”, consideram os profissionais.

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