Escândalo no BRB: banco compra mesma dívida duas vezes, ignora alertas e pode ampliar rombo bilionário

O Banco de Brasília (BRB) protagonizou uma operação atípica e de alto risco ao adquirir, em duplicidade, uma mesma cédula de crédito bancário (CCB) do Banco Master, sem garantias suficientes e à revelia de recomendações expressas de sua área técnica.

Documentos revelados pelo Metrópoles indicam que o negócio integra um conjunto de aquisições sob suspeita, envolvendo ativos considerados “frios” e potencialmente responsáveis por um rombo ainda não dimensionado nas contas do banco público.

O caso mais contundente envolve a carteira da RKO Alimentos. A empresa teria contraído um empréstimo de R$ 400 milhões junto ao Banco Master, em dezembro de 2023, com carência até 2026. Ainda assim, o BRB comprou essa mesma dívida duas vezes, desembolsando, ao todo, R$ 498 milhões.

A primeira aquisição, no valor de R$ 174 milhões, ocorreu em outubro de 2024 e sequer foi registrada na planilha oficial de operações do banco, o que levanta dúvidas sobre transparência e controle interno. À época, técnicos já alertavam que as garantias apresentadas não atingiam o mínimo exigido de 130% do valor da operação.

Como solução, foi incluída a promessa de um imóvel avaliado em R$ 1,3 bilhão, localizado em Mata de São João. A apuração, porém, revelou um problema grave: o bem nunca pertenceu ao Banco Master e, portanto, jamais poderia ser oferecido como garantia. Não há, inclusive, qualquer registro de alienação fiduciária na matrícula do imóvel.

Apesar das inconsistências, o BRB avançou novamente. Em junho de 2025, aprovou às pressas a segunda compra da mesma dívida, por R$ 324 milhões. A decisão ocorreu em meio à tentativa de substituir carteiras consideradas fraudulentas adquiridas anteriormente do próprio Banco Master.

Nos bastidores, a urgência tinha motivação clara: melhorar artificialmente a qualidade dos ativos do banco para viabilizar o aval do Banco Central à compra do Banco Master, uma operação estratégica, mas cercada de riscos.

A sucessão de decisões, tomadas mesmo diante de alertas técnicos e fragilidades evidentes, expõe falhas graves de governança no BRB e acende um sinal de alerta sobre a gestão de recursos públicos. Especialistas apontam que o caso pode ter repercussões não apenas administrativas, mas também legais, diante dos indícios de irregularidades em operações de grande porte.

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