Exagerou? Hepatologistas contam o que é bom para desintoxicar o fígado

Beber além da conta, mesmo que seja só em uma noite, já pode sobrecarregar o fígado. É ele quem faz o trabalho de “quebrar” o álcool no corpo e, quando a quantidade é grande, reage de forma rápida ao excesso. Esse efeito costuma ser mais forte em quem já tem gordura no fígado ou outros problemas de saúde.

Apesar do fígado conseguir se recuperar bem, essa capacidade tem limites. Ao repetir exageros, podem surgir inflamações que passam despercebidas no início. Entender como o corpo reage e saber o que fazer depois de beber demais ajuda a reduzir riscos e a proteger o órgão.

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Como o fígado lida com o álcool no organismo

Depois de beber, o álcool vai quase todo para o fígado, que fica responsável por eliminar a substância do corpo. Durante esse trabalho, são produzidos compostos que irritam as células do órgão e exigem mais esforço.

Por isso, quanto maior a quantidade ingerida, maior é a sobrecarga, podendo causar inflamações. Em pessoas não têm problemas de saúde, o fígado costuma dar conta e se recuperar; já quem tem gordura no fígado, obesidade, diabetes ou doenças hepáticas tende a sentir os efeitos com mais intensidade, e o tempo de recuperação costuma ser maior.

“Controlar fatores que favorecem o acúmulo de gordura no fígado ajuda a regular também a síndrome metabólica e a resistência insulínica. Isso reduz o acúmulo de gordura hepática e evita sua progressão. A esteatose pode avançar para fibrose, cirrose e até câncer de fígado”, aponta o hepatologista Adriano Moraes, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

Alimentação leve é a mais indicada para o bom funcionamento do fígado depois de exagerar na bebida

O que ajuda o órgão a desintoxicar depois de exageros

A principal atitude é parar completamente com o álcool. Beber bastante água ao longo do dia ajuda o corpo a eliminar o excesso e pode aliviar o mal-estar.

A alimentação também contribui para a recuperação. O ideal é priorizar refeições leves, com alimentos simples e fáceis de digerir, como arroz, legumes, verduras, frutas e proteínas magras.

Esses alimentos ajudam o fígado a trabalhar melhor, sem precisar de esforço extra. Descansar também faz toda a diferença. Evitar exercícios intensos logo depois do exagero permite que o organismo direcione energia para se recuperar.

Mas atenção, produtos vendidos como “detox” e suplementos não cumprem o que prometem. Eles não limpam o fígado nem aceleram a recuperação e, em alguns casos, podem até sobrecarregar o órgão.

O mesmo vale para o uso de remédios sem orientação, principalmente analgésicos em excesso, que também passam pelo fígado e podem piorar a situação.

Sinais que o corpo sofreu com o excesso de álcool

Nem sempre os efeitos aparecem logo depois de beber. Mesmo assim, alguns sinais merecem atenção. Mal-estar que não passa ao longo do dia, enjoo frequente, cansaço fora do normal e sensação de peso ou dor do lado direito da barriga podem indicar que o fígado foi sobrecarregado.

Mudanças na cor da urina, que pode ficar mais escura, e um leve amarelamento dos olhos também sugerem que o organismo teve dificuldade para lidar com o álcool. Em exames de sangue, essas alterações costumam aparecer como aumento das enzimas do fígado, mesmo quando a pessoa não sente sintomas claros.

“Muitas vezes, o paciente passa meses ou anos sem qualquer sintoma aparente, mas cada episódio de exagero contribui para inflamação, mesmo quando o consumo não parece tão alto”, explica a hepatologista Lisa Saud, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

Quando procurar avaliação médica?

Se o mal-estar não melhora depois de um ou dois dias, ou se surgirem sinais como dor forte na barriga, olhos amarelados, inchaço ou cansaço intenso, é importante buscar atendimento médico. Alguns exames conseguem identificar alterações no fígado ainda no início e ajudam a definir os cuidados necessários.

Prestar atenção aos limites do próprio corpo e não ignorar esses sinais depois de exagerar na bebida é uma forma de proteger o fígado e evitar que episódios isolados se transformem em problemas de saúde mais sérios.

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