Infectologistas apontam as principais vacinas esquecidas por adultos

A vacinação é uma das principais estratégias de proteção da saúde individual e coletiva. Ao prevenir doenças graves, ela reduz internações, evita mortes e diminui a circulação de vírus e bactérias na população. Além disso, ajuda a proteger pessoas que não podem ser vacinadas por motivos de saúde, como indivíduos imunossuprimidos.

No Brasil, essa política faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsável por oferecer gratuitamente dezenas de vacinas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo com essa estrutura, a adesão à vacinação não acontece de forma igual em todas as fases da vida.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados em setembro de 2025, mostram que a primeira dose da tríplice viral, que protege crianças contra sarampo, caxumba e rubéola, atingiu 91,8% de cobertura, próxima da meta de 95%. Já a vacina contra a poliomielite alcançou cerca de 86%, depois de anos de queda.

Entre os mais velhos, esse cenário é diferente. As vacinas que dependem da iniciativa dos próprios adultos seguem com adesão baixa. A falta de acompanhamento médico regular, o esquecimento dos reforços e a perda do cartão vacinal fazem com que muitos adultos permaneçam desprotegidos, mesmo com vacinas disponíveis gratuitamente.

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Principais vacinas esquecidas por adultos

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles listaram as principais vacinas que acabam sendo deixadas de lado pelos adultos. Confira:

“Quando não há registro no cartão de vacinação, a orientação é considerar que a pessoa não está vacinada. No caso de vacinas como hepatite B e febre amarela, é mais seguro atualizar a dose do que manter a dúvida”, explica o infectologista André Bon, do Hospital Brasília, da Rede Américas.

Por que adultos negligenciam a vacinação?

Na infância, a vacinação costuma fazer parte da rotina médica, com acompanhamento regular e verificação frequente do cartão vacinal. Na vida adulta, esse cuidado tende a se perder por alguns motivos.

Muitos adultos deixam de fazer consultas preventivas, procuram o sistema de saúde só quando adoecem e acabam não revisando a caderneta de vacinação. A perda do cartão vacinal também contribui para a desorganização do histórico das doses.

Outro fator é a falta de tempo. Com a maioria das salas de vacinação funcionando em horário comercial, o acesso de quem trabalha acaba sendo mais difícil. Além disso, a disseminação de informações falsas por grupos antivacina afastam parte da população adulta da imunização.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a hesitação vacinal como uma das dez maiores ameaças à saúde global

Idosos precisam de ainda mais atenção

Com o avanço da idade, o sistema imunológico perde parte da capacidade de resposta, o que aumenta o risco de infecções mais graves. Por isso, a vacinação se torna ainda mais importante entre os idosos. Algumas vacinas ganham destaque a partir dos 50 ou 60 anos, como a contra o herpes-zóster e a contra pneumonia.

“Mesmo quando a resposta do organismo não é tão forte na idade mais avançada, a vacinação reduz o risco de formas graves das doenças e de complicações. Por isso, a idade não é motivo para deixar de se vacinar, e sim para reforçar esse cuidado”, orienta a infectologista Valéria Paes, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

Dose para a proteção

Manter a vacinação em dia não traz benefícios só para quem recebe a dose. Esse efeito coletivo é fundamental para evitar surtos de doenças preveníveis, como sarampo, hepatites e febre amarela. Com vacinas disponíveis gratuitamente pelo SUS, revisar o cartão vacinal na vida adulta é uma forma de cuidado pessoal e também de responsabilidade com a saúde pública.

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