Irã lança mísseis contra Bahrein e Kuwait após novo ataque dos EUA

O Irã respondeu, neste sábado, a um ataque americano com o disparo de vários mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, aliados de Washington no Golfo, em novas hostilidades que ameaçam a trégua vigente desde abril.

O ataque

Semanas de negociações complexas, marcadas por ameaças e episódios de violência, não resultaram em um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, crucial para o comércio global de combustíveis.

Na sexta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que suas forças “derrubaram quatro drones” que se dirigiam ao estreito e atacaram duas instalações de radares no Irã.

Em resposta, o Irã atacou com mísseis “bases inimigas na região”, afirmou neste sábado a Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano.

O Centcom indicou que o Irã havia lançado sete mísseis balísticos contra o Bahrein e o Kuwait, mas que seis tinham sido interceptados e um não havia atingido seu alvo.

O Bahrein, que abriga o quartel-general da Quinta Frota americana, denunciou o ataque – segundo contra os dois países em três dias – como uma “agressão descarada”, enquanto o Kuwait falou em “uma perigosa escalada”.

“Fomos acordados por uma enorme explosão”, contou à AFP no Kuwait a egípcia Reem, mãe de dois filhos. “Meus filhos ficaram apavorados e não conseguia acalmá-los”, acrescentou.

“Violação flagrante”

Após mais de um mês de ataques que dizimaram a cúpula do poder iraniano, entrou em vigor em 8 de abril um frágil cessar-fogo, respeitado em grande parte, mas salpicado por hostilidades esporádicas.

A chancelaria iraniana classificou os últimos ataques dos Estados Unidos como uma “violação flagrante” da trégua e condenou “o comportamento hostil e provocador do regime americano”.

Os esforços diplomáticos se viram estagnados mais de uma vez, enquanto o conflito abala os mercados mundiais e aumenta a pressão política sobre o presidente americano, Donald Trump, antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro.

“As negociações estão em ponto morto e Trump deve romper este ponto morto”, declarou Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, em entrevista à CNN na sexta-feira.

O conselheiro do aiatolá urgiu o desbloqueio de 24 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 123 bilhões) de ativos iranianos congelados no exterior.

Outro dos principais pontos de fricção nas negociações é o programa nuclear iraniano. Estados Unidos e Israel consideram que o objetivo desse programa é desenvolver uma arma atômica, embora Teerã alegue que ele tem apenas fins civis.

O Irã criticou neste sábado um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no qual se expressava preocupação com a falta de acesso às instalações nucleares iranianas.

O front libanês

Outra exigência de Teerã é o fim dos combates no Líbano, arrastado para a guerra quando o Hezbollah atacou Israel em 2 de março para vingar a morte do anterior líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

O exército libanês indicou que seu chefe, Rodolphe Haykal, estava a caminho do Paquistão, onde se reunirá com seu homólogo, Asim Munir, figura-chave nos esforços de mediação entre Washington e Teerã.

O Líbano informou neste sábado que um ataque israelense no sul do país matou três de seus soldados. O exército israelense disse que está “revisando o incidente” e insistiu que sua campanha no Líbano tem como alvo o movimento pró-Irã Hezbollah.

De acordo com o Ministério da Saúde libanês, duas mulheres morreram e 22 pessoas ficaram feridas em um bombardeio israelense na cidade de Saksakiyeh.

O exército israelense informou neste sábado que dois de seus soldados morreram no Líbano, elevando para 29 o total de seus militares mortos desde 2 de março.

Após uma trégua em meados de abril que nenhuma das partes respeitou, representantes israelenses e libaneses chegaram a um novo acordo esta semana em Washington, que tampouco interrompeu as hostilidades.

O pacto, rejeitado pelo Hezbollah, sujeita o cessar-fogo à “cessação total” dos disparos do movimento xiita e prevê que o exército israelense possa manter suas operações no sul do Líbano.

Lá, as forças israelenses afirmaram na noite de sábado ter atacado “cerca de 150” posições do Hezbollah em 48 horas.

O presidente libanês, Joseph Aoun, denunciou os “ataques israelenses incessantes, que permanecem impunes” apesar do cessar-fogo.

Os ataques israelenses contra o Líbano deixaram mais de 3.560 mortos desde o início do conflito, segundo o último balanço oficial. Do lado israelense, 27 militares e um funcionário terceirizado civil morreram.

*Conteúdo produzido pela AFP

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