Little Misfortune: por que o jogo é considerado perigoso para crianças

Colorido, encantador e com traços que lembram desenhos infantis, o jogo Little Misfortune, lançado em 2019 pelo estúdio sueco Killmonday Games, tem chamado atenção não só pela estética, mas também pelo conteúdo.

De acordo com especialistas em segurança pública, que fazem um alerta, o grande perigo está justamente na aparência “fofa” e atrativa dele, que pode enganar tanto crianças quanto adultos. Muitas vezes, os pais não se dão conta do conteúdo real por trás de gráficos coloridos ou personagens carismáticos.

Ele aborda, por meio de metáforas e escolhas morais, questões delicadas, como:

Sem classificação etária visível, o jogo pode facilmente atrair crianças e adolescentes — mesmo sem ser apropriado para esse público.

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O delegado da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) Paulo Mavignier faz um alerta sobre o jogo. De acordo com ele, o que começa como uma aventura mágica, protagonizada por uma garotinha de 8 anos, logo se revela uma história sombria, com temas como morte, negligência, depressão, rituais de oferenda e traumas familiares.

Veja: 

Visual encantador, enredo sombrio

A personagem principal, Misfortune Ramirez Hernandez, vive em um lar conturbado e parte em uma jornada em busca do “prêmio da felicidade eterna” para presentear sua mãe.

Acompanhada por uma voz misteriosa (e manipuladora) em sua cabeça, a menina enfrenta situações emocionalmente pesadas, mascaradas por diálogos leves e momentos visualmente doces — como quando espalha glitter por onde passa.

Logo no início, o narrador avisa: “Essa é Misfortune. Uma menina maravilhosa, com uma família ruim. Ah… o triste é que hoje é o dia em que ela vai morrer.”

“Um alerta do que a internet pode promover”

O secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), Alexandre Patury, também falou a respeito do jogo, fazendo um alerta sobre o que a internet pode promover e como os familiares devem estar mais atentos. “A responsabilidade é de todos nós.”

O jogo fala sobre dor, perda e a busca por amor em meio ao caos. Mas não é um conto de fadas moderno: é um lembrete de que nem toda criança vive uma infância protegida — e que algumas escondem o sofrimento com glitter, sorrisos e fantasia.

Finalizando, Patury reforçou que essa exposição precoce a temas como violência, morte ou abuso, sem o devido contexto ou acompanhamento, pode afetar o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.

Vídeo: 

Dicas para pais e responsáveis:

A coluna Na Mira entrou em contato com o desenvolvedor do jogo – Killmonday Games e não houve resposta. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.

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