A confusão começou após parlamentares da direita se revoltarem porque o presidente do colegiado informou que serão votados destaques depois da leitura. O Metrópoles apurou que um dos destaques será votado para retirar o general Gonçalves Dias da lista de pedidos de indiciamentos.
“Vou suspender a sessão, porque não vou permitir que a extrema direita transforme isso numa palhaçada”, ressaltou Chico. Com os microfones cortados, os parlamentares cercaram o colega, gritando repetidamente “questão de ordem”.
Assista ao bate-boca:
Na briga, quase todos os parlamentares da CPI acabaram discutindo. Paula Belmonte (Cidadania) chegou a sair do local que ocupa no plenário para ficar em pé ao lado de Hermeto, que tentava ler o relatório, pedindo questão de ordem.
Para a deputada, que é suplente na sessão, votar para tirar o general Gonçalves Dias é “uma grande manobra”.
Fábio Felix (PSol) e Joaquim Roriz Neto (PL) também bateram boca. Enquanto o distrital do PL chegou a dizer que “Chico não podia agir como Deus” da CPI, Fábio afirmou que o deputado bolsonarista “nem vinha” para a Comissão nas outras sessões, mas agora queria tumultuar.
“Esse teatro que foi feito hoje faz parte da intenção de desmoralizar a CPI. Querem implodir a CPI porque todos sabem quem são os autores e qualquer coisa que aparece bate na porta deles”, acrescentou Fábio.
A grande questão da discussão é o entendimento do relatório como uma “proposição”. Enquanto a presidência da CPI diz que o regimento interno da Câmara Legislativa prevê a legalidade de um dispositivo de emenda ao texto, que poderia retirar o nome de GDias, por exemplo, a direita diz que o documento apresentado pelo relator não se trata de uma proposição legislativa e, portanto, não aceitaria emendas.
Relatório
O relatório de Hermeto pede o indiciamento do coronel Marcelo Casimiro, que chefiava o 1º Comando de Policiamento Regional (CPR), e da coronel Cíntia Queiroz de Castro, que é da PM, mas atua como subsecretária de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública do DF.
Os outros policiais militares já presos, segundo o relator, são “vítimas da falta de informações” desses dois.
Acompanhe a CPI abaixo:
Pedidos de indiciamento
Em andamento na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a Comissão apura os ataques contra a democracia de 8 de Janeiro. Conforme o Metrópoles adiantou, o relatório final da CPI apresentou 444 páginas e 130 indiciados. Também constam no texto o crime pelo qual cada um deve responder, no entendimento da CPI, e a prova da ação criminosa.
Os indiciados compõem quatro grupos principais. Aqueles que instigaram as pessoas a participar dos atos, aqueles que financiaram golpistas, os que foram omissos e os que efetivamente estiveram na Praça dos Três Poderes na data praticando ações violentas para anular o resultado das eleições.
A CPI dos Atos Antidemocráticos se tornou histórica na Casa e no DF. Em andamento há nove meses, a Comissão ouviu 31 pessoas entre fevereiro e novembro. Foram colhidos depoimentos de autoridades, como ex-ministros, generais, membros da alta cúpula da Polícia Militar do DF (PMDF) e da Secretaria de Segurança Pública (SSP), e de figuras-chave da tentativa de golpe, como lideranças e financiadores.
Os outros membros da Comissão também podem apresentar emendas aditivas ou supressivas, que, respectivamente, têm o poder de adicionar ou retirar nomes de indiciados, caso sejam aprovadas pela maioria. Após a votação do relatório e a conclusão total dos trabalhos, a CPI enviará o documento para os órgãos competentes, como o Ministério Público e a Advocacia-Geral da União (AGU), que podem abrir novas investigações, anexar mais elementos às apurações em andamento ou oferecer novas denúncias, por exemplo.
Deputado Distrital Hermeto
Deputado distrital Hermeto (MDB) Hugo Barreto/Metrópoles
Marco Edson Gonçalves Dias, ex-ministro chefe do GSI depõe na CPI dos Atos Antidemocráticos do dia 8 de Janeiro, na CLDF 2
General Gonçalves Dias depõe à CPI dos Atos Antidemocráticos, da CLDF Breno Esaki/Metrópoles
Deputado Distrital Fábio Felix
Deputado distrital Fábio Felix (PSol) Hugo Barreto/Metrópoles
Blogueiro Wellington Macedo de Souza depõe à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Distrito Federal CLDF 6
Hugo Barreto/Metrópoles
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, da Câmara Legislativa (CLDF), ouve o depoimento da Ana Priscila, na manhã desta quinta-feira (28/9). Ela é apontada como uma das lideranças do movimento bolsonarista, que invadiu os prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa (CLDF) ouviu o depoimento de Ana Priscila, na manhã de quinta-feira (28/9). Ela é apontada como uma das lideranças do movimento bolsonarista que invadiu os prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro Hugo Barreto/Metrópoles
Hacker Walter Delgatti Neto participa da oitiva dos antidemocráticos do 8 de Janeiro da CLDF 1
Deputados distritais na oitiva de Walter Delgatti Breno Esaki/Metrópoles
Foto-major do GSI José Eduardo Natale presta depoimento à CPI (4)
O major do GSI José Eduardo Natale Breno Esaki/Metrópoles @BrenoEsakiFoto
Presidente vai pedir prorrogação de prazo da CPI Francisco Dutra / Metrópoles
general Augusto Heleno CPI dos Atos Antidemocráticos CLDF
Hugo Barreto/Metrópoles
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O autônomo Armando Valentin Settin Lopes de Andrade, 46 anos, acabou detido em flagrante horas depois de participar da invasão às sedes dos Três Poderes Eurico Eduardo / Agência CLDF
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“Não vou comentar o depoimento do general aqui. Mas houve operação com 500 policiais militares ali parados, esperando autorização do Exército para retirar o acampamento. Alguém vir aqui e dizer que [a PMDF] não agiu, [que] não era atribuição [dela], [que] não estava fazendo, é meio complicado. Precisa ser apurado por essa CPI”, afirmou Hugo Barreto/Metrópoles