Thiago Ávila: Itamaraty diz que trabalha para liberação de brasileiro preso em Israel

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil está trabalhando para libertar o brasileiro e ativista de direitos humanos Thiago Ávila. A informação foi enviada por nota à Agência Pública e ainda afirma que o “Ministério das Relações Exteriores [MRE] do Brasil segue trabalhando em vista da liberação do brasileiro e da completa apuração das circunstâncias de sua detenção”.

​Ávila e o espanhol de ascendência palestina Saif Abu Keshk foram sequestrados pelas forças militares de Israel na madrugada de 30 de abril junto com outros 173 tripulantes de 22 barcos. As embarcações foram interceptadas em águas internacionais a menos de 150 quilômetros da ilha grega de Creta. O grupo faz parte do movimento Global Sumud Flotilla (GSF) e levava ajuda humanitária à região de Gaza.

A maioria dos ativistas desembarcou do navio israelense, para onde haviam sido levados à força, no porto de Ierapetra, no sul de Creta, segundo nota à imprensa da GSF. Ávila e Abu Keshk, entretanto, não foram autorizados a seguir com os demais e foram enviados presos para Israel, onde chegaram no dia 2 de maio. Ainda segundo a nota da GSF, os demais membros da flotilha libertados relataram agressões e torturas por parte de soldados israelenses.

Segundo o jornal israelense “The Times of Israel”, Ávila e Abu Keshk estão em prisão preventiva por serem suspeitos de ligação com um grupo que, “segundo os Estados Unidos”, agiria em nome do “grupo terrorista Hamas”. 

A matéria ainda explica que Ávila é acusado de associação com uma organização considerada terrorista por Israel, e também pelos Estados Unidos: a Conferência Popular para os Palestinos no Estrangeiro (PCPA na sigla em inglês). A organização é considerada um braço internacional para a captação de recursos para o Hamas, responsável pelo ataque a Israel com mortes e sequestro de civis em outubro de 2023. A resposta a esse ataque por Israel deu início ao conflito na região de Gaza, que segue com bombardeios feitos por Israel até hoje. 

Na última sexta-feira, dia 1º de maio, o governo brasileiro soltou uma nota em conjunto com a Espanha, na qual os países afirmam condenar “nos termos mais enérgicos o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel”. Depois disso, no entanto, o governo brasileiro não se manifestou publicamente sobre a situação.

Thiago Ávila e Abu Keshk:  “condições terríveis”

​No domingo, dia 3, o tribunal na cidade israelense de Ashkelon estendeu a prisão dos dois ativistas por mais dois dias. A defesa dos dois ativistas é oferecida pelo grupo israelense de direitos humanos Adalah. Os advogados que estiveram com Ávila e Abu Keshk afirmaram, segundo publicação da organização em rede social, que ambos estão em  “condições terríveis de detenção, que vão desde ameaças de morte até condições de detenção que equivalem a tortura”.

Os advogados relatam que os dois são mantidos, 24 horas por dia, em celas com luzes intensas, prática já conhecida no sistema prisional israelense, com o intuito de induzir privação de sono e desorientação nos presos. A publicação continua a descrever que os ativistas, em greve de fome desde a prisão, consumindo apenas água, também foram examinados por médicos com os olhos vendados, o que configura uma grave violação dos padrões éticos da medicina. E conclui que esse tratamento é considerado tortura pela lei internacional.

Outros relatos ainda afirmam que, durante a audiência de domingo, o brasileiro afirmou ter sido submetido a “extrema brutalidade por parte dos militares israelenses durante a apreensão das embarcações”. Ele foi arrastado de bruços pelo chão e espancado com tanta severidade que perdeu a consciência em duas ocasiões.” Os advogados presentes ainda confirmaram que Ávila apresentava  “hematomas visíveis no rosto, inclusive ao redor do olho esquerdo” e mobilidade reduzida e dor intensa na mão.

Em sua nota, o Itamaraty cita que “A Embaixada do Brasil em Tel Aviv presta assistência ao ativista brasileiro, inclusive por meio de visitas consulares e do acompanhamento das audiências judiciais vinculadas ao caso”.  

​O posicionamento do MRE também reitera que a “atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional” e sugere que essas atribuições sejam avaliadas por meio deste link. Entre os exemplos do que as “repartições consulares brasileiras no exterior podem fazer pelos brasileiros no exterior”, a página cita: “fornecer assistência consular, respeitando-se os tratados internacionais vigentes e a legislação do país estrangeiro” e “visitar o brasileiro na prisão”.

Após o envio da nota, a reportagem acrescentou questionamentos sobre quais foram as ações efetivas do MRE para a liberação do brasileiro e sobre qual apuração está sendo feita em relação às “circunstâncias de sua detenção”. Porém, o Ministério não respondeu até a publicação desta matéria. Caso o Itamaraty se manifeste, o texto será atualizado. Confira a íntegra da nota enviada até o momento.

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