A direita conseguiu uma vitória na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), do Congresso Nacional, que não prosperou na CPI do Distrito Federal. Em ambas as Casas, deputados bolsonaristas tentaram convocar o fotógrafo Adriano Machado, da agência de notícias britânica Reuters. A oitiva do fotojornalista vem sendo uma estratégia para endossar a narrativa de que o 8 de Janeiro teria contado com “infiltrados”.
Vários requerimentos de convocação de Adriano foram apresentados nas duas comissões que investigam os atos antidemocráticos. Entre os autores, está o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na última semana, um deles acabou sendo aprovado na CPMI.
O fotógrafo trabalhava na data em que bolsonaristas tentaram um golpe de Estado com uso da violência. Ele apareceu em imagens de câmeras de segurança do interior do Palácio do Planalto e passou a ser alvo de ataques.
Nas filmagens, Adriano aparece registrando a manifestação antidemocrática que acabou sendo notícia em vários países do mundo. Em determinado momento, ele é abordado por um manifestante e questionado sobre as imagens.
Em narrativas criadas pela oposição a Lula (PT), esse curto diálogo mostraria que o manifestante seria um “infiltrado”, que estaria esquematizando e produzindo uma cena no local.
Os requerimentos apresentados chegam a justificar a necessidade da ida do fotojornalista com informações falsas ou distorcidas publicadas em blogs. A própria Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal divulgou nota esclarecendo que “não é verdadeira a informação de que o fotógrafo da Reuters tenha participado de ‘armação’ no dia 8 de janeiro”.
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Tropa de Choque da PM atua após invasão ao Congresso
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Hugo Barreto/Metrópoles
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Na Câmara Legislativa da capital, distritais tentaram intimar Adriano a prestar esclarecimentos. A deputada Paula Belmonte (Cidadania) chega a citar em quase toda sessão a “necessidade” de ouvir o fotógrafo. A esquerda conseguiu barrar a convocação.
O requerimento chegou a ser votado em duas sessões distintas, mas acabou não alcançando os votos necessários para aprovação. O presidente da CPI, Chico Vigilante (PT), ressaltou o livre exercício da imprensa para se manifestar contra.
Várias entidades emitiram notas repudiando a convocação na CPMI, como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Ainda não está marcada a data do depoimento.
