A advogada alagoana Adriana Mangabeira Wanderley tem se destacado como uma voz poderosa na luta pela igualdade e pelo resgate das histórias femininas apagadas ao longo dos séculos. Reconhecida por sua atuação em defesa dos direitos das mulheres, Adriana lidera uma iniciativa histórica para reparar a invisibilidade de Dandara dos Palmares, mulher guerreira que lutou ao lado de Zumbi dos Palmares na maior resistência contra a escravidão no Brasil: o Quilombo dos Palmares.
Em 20 de novembro de 2023, Dia da Consciência Negra, Adriana esteve no Senado Federal, em Brasília, para apresentar uma Ideia Legislativa, que visa incluir Dandara como símbolo oficial das celebrações da data ao lado de Zumbi. A proposta foi entregue na liderança do MDB-AL, no Senado Federal e registrada como Ideia Legislativa n.º 178846, mas ainda não foi aprovada.
Adriana, neta de palmarinos e profundamente ligada à história do Quilombo dos Palmares, não mede esforços para reparar o que chama de “erro histórico de cunho machista”. Segundo ela, ignorar o papel de Dandara é perpetuar a invisibilização das mulheres na história.
“Dandara não foi apenas companheira de Zumbi; ela foi uma líder, uma estrategista e uma guerreira que lutou pela liberdade e contra a escravidão. É inadmissível que sua memória seja apagada enquanto Zumbi é celebrado. Minha proposta busca corrigir essa injustiça, reconhecendo o papel essencial da mulher na construção dessa história de resistência”, afirmou Adriana.
A advogada propôs também que a data de 20 de novembro fosse oficializada como feriado nacional. Desde 2011, a data entrou no calendário oficial e passou a ser celebrada como o Dia da Consciência Negra, e já era considerada feriado em alguns estados e municípios. Mas foi somente em 2023 que o Congresso Nacional aprovou a lei que transformou o Dia da Consciência Negra em feriado nacional.
Adriana também destaca sua conexão emocional com essa causa. Desde a infância, ela visitava o Quilombo dos Palmares, em União dos Palmares, Alagoas, onde seus avós moravam. Hoje, como proprietária de terras na região, ela reafirma seu compromisso com a preservação da memória de Dandara: “Deixarei as imagens dela nas terras do quilombo onde tenho uma propriedade”, declarou.
Essa iniciativa é mais uma de suas batalhas contra o machismo estrutural que, segundo ela, ainda marca fortemente o Nordeste e o Brasil como um todo. Adriana acredita que dar a Dandara o reconhecimento merecido é um passo fundamental para resgatar o protagonismo feminino em momentos cruciais da história brasileira.
“Esta luta não é só por Dandara; é por todas as mulheres que foram silenciadas ao longo dos séculos. Zumbi e Dandara lutaram lado a lado pela liberdade, e juntos eles devem ser lembrados para sempre. Quero agradecer ao senador Renan Calheiros e à equipe da Liderança da Maioria do Senado pelo apoio a esta causa. Agora, conto com o apoio de todos os brasileiros para fazer justiça à memória de Dandara”, enfatizou Adriana.
A advogada conclama a sociedade a apoiar a proposta no sistema e-Cidadania, ressaltando que reconhecer Dandara é celebrar a força, a coragem e o papel essencial da mulher na luta pela liberdade e igualdade no Brasil. “Dandara merece esse reconhecimento. É hora de corrigir a história”, concluiu.
