Em 2024, a Prefeitura de Maceió foi surpreendida por uma injeção bilionária proveniente do enigmático “orçamento secreto”. Sob o comando de JHC — João Henrique Caldas, do PL e filho do ex-deputado João Caldas —, a cidade mergulhou em um cenário de privilégios e escândalos que, até hoje, não se apaga da memória coletiva.
Agora, em 2025, um ano após o desfile em que a Beija Flor vendeu seu enredo para políticos de Maceió – que desembolsaram parte dos recursos do orçamento secreto, somando milhões (até 8 milhões, para se ter uma ideia) –, o que mais chamou atenção foi o fato de a escola sequer ter participado do desfile das campeãs de 2024. Parece que o uso indevido desses recursos, aliado à presença das “velhas raposas felpudas” da política na avenida, foi a gota d’água para um resultado desastroso.
Felizmente, a Beija Flor, poupada do mau agouro desses políticos oportunistas, triunfou em 2025. Fica a lição: nem todo dinheiro traz coisas boas. Por outro lado, a sorte não sorriu para a população de Maceió – vítimas dos escândalos envolvendo a Braskem, da falta de segurança, dos péssimos hospitais e de escolas públicas que estão longe do ideal.
É inconcebível imaginar que, em meio à tragédia que se instalou na cidade – com o desabamento de minas, casas interditadas e inúmeras vidas perdidas por suicídios, câncer e depressão, uma epidemia provocada pela ganância – políticos se permitam curtir o Carnaval. O Carnaval é festa, Maceió é linda, mas, em tempos difíceis, a prioridade deve ser o povo e não a diversão de políticos profissionais que se esbaldam na avenida do Rio de Janeiro e em seus camarotes, utilizando dinheiro público, dinheiro de sangue.