Caso Master avança no Congresso com depoimentos e CPMI do INSS aguarda prorrogação

A semana no Congresso deve girar em torno de mais um capítulo das investigações sobre o Banco Master. A CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado planejam ouvir, nesta segunda (23) e quarta-feira (25), respectivamente, a influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro. Vista como alguém próxima ao núcleo do investigado, ela pode ajudar a esclarecer como funcionava a rede de contatos do empresário, incluindo relatos de encontros com autoridades e conversas que teriam ocorrido até por chamada de vídeo.

Os parlamentares também querem entender como essas informações circulavam e se havia algum tipo de articulação fora dos canais oficiais. Ao mesmo tempo, a transferência de Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal na última semana, em Brasília, depois de deixar a ala de segurança máxima da Papuda, já é vista como parte do processo que deve resultar em um acordo de delação premiada.

A CPI do Crime Organizado, por sua vez, quer aprofundar a apuração sobre a entrada de esquemas ilícitos em estruturas formais do Estado. Estão no radar os depoimentos de Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, apontados pela Polícia Federal como pessoas que orbitavam Vorcaro e teriam atuado como consultores informais. A suspeita é que eles tenham ajudado tanto na compra do antigo Banco Máxima quanto no acesso a informações sensíveis do Banco Central. O caso se encaixa no que os investigadores chamam de “novos ilegalismos”, quando o crime passa a operar por dentro de empresas aparentemente legais. Há indícios de que o banco tenha movimentado bilhões em operações associadas à lavagem de dinheiro.

Já a CPMI do INSS tenta ligar esses pontos ao impacto direto no sistema previdenciário. A comissão quer entender se essas conexões ajudaram a abrir brechas para fraudes, seja por influência política, falhas de controle ou uso indevido de informações. A avaliação é que ouvir pessoas próximas ao entorno de Vorcaro pode ajudar a montar esse quebra-cabeça e explicar como irregularidades financeiras podem ter dialogado com fragilidades dentro do próprio INSS. Com o prazo para encerrar os trabalhos até o dia 28 de março, o relatório final da CPMI pode ser apresentado e votado até o fim desta semana. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), no entanto, afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) foi acionado para tentar estender as investigações, e ainda aguarda decisão do Ministro André Mendonça.

Na Câmara, o foco se volta para o futuro do trabalho nas periferias. A audiência pública desta quinta-feira (26) vai discutir como moradores de favelas podem se inserir no mercado digital, aproveitando o avanço do trabalho remoto e das plataformas online. A abertura do debate será feita pelo deputado Hélio Lopes (PL-RJ), que apresentou o estudo. A ideia é ouvir quem está na ponta, trabalhadores, empresas e organizações, para entender o que ainda trava esse acesso, desde conexão à internet até formação profissional. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que há ali um potencial enorme de geração de renda, se houver investimento e política pública para sustentar esse caminho.

Também volta ao senado a votação do projeto que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito. A proposta tinha sido adiada, mas deve ser retomada após pressão de parlamentares que defendem urgência no tema. A autora, senadora Ana Paula Lobato, tem insistido que a medida é uma resposta necessária diante do aumento da violência contra mulheres. A expectativa é que, desta vez, haja acordo para levar o texto à votação.

No Judiciário, o STF volta a discutir os chamados “penduricalhos” pagos a magistrados. O caso trata da possibilidade de equiparar benefícios de juízes aos do Ministério Público, o que, na prática, tem permitido salários acima do teto constitucional. O relator, ministro Alexandre de Moraes, já havia cobrado explicações de tribunais de todo o país sobre esses pagamentos. Agora, o julgamento pode definir se esse modelo continua de pé ou se haverá um freio mais duro nesse tipo de remuneração.

Estão na agenda da semana de 23 a 27 de março:

DIREITOS HUMANOS

MEIO AMBIENTE

POLÍTICA

EDUCAÇÃO

SAÚDE

Agenda da semana da Pública é um serviço apresentado aos leitores com base nas informações dos portais da Câmara, Senado e STF.

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