O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi citado 40 vezes no relatório relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos. Pelo texto, o ex-chefe do Executivo foi responsável por acrescentar elementos que potencializaram a divisão política no país.
A leitura do relatório teve início às 9h desta quarta-feira (29/11) no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O texto passará por votação para que seja aprovado pela casa parlamentar.
Apesar das citações, Bolsonaro é inocentado pelo documento. Segundo o relatório, não há evidências sólidas, concretas que apoiem a alegação de que o ex-presidente tenha planejado ou executado, nos atos de 8 de janeiro de 2023, um golpe de Estado no Brasil.
Em outro momento do documento, é ressaltado que Bolsonaro adotou em todo seu governo uma postura beligerante, liderança provocativa, retórica agressiva. O ex-presidente também é apontado por construir uma narrativa para descredibilizar as eleições no Brasil. “Reiterando, sistematicamente, sobre a possibilidade de fraude às urnas eletrônicas”, reforçou o texto.
“O ex-presidente anunciou em uma de suas lives que apresentaria provas de suas acusações, o que nunca aconteceu. Noutra ocasião, distorceu informações de um inquérito policial da Polícia Federal alegando, incorretamente que o Tribunal Superior Eleitoral havia reconhecido ‘invasão hacker as urnas’”, exemplificou.
O texto ainda ressalta que Bolsonaro usou como campanha política em 2022 o retrato das eleições como uma “batalha do bem contra o mal”.
“Com esse roteiro, Bolsonaro conseguiu instalar, em seus eleitores, uma visão simplificada da realidade política criada, em parte, pela desinformação”, afirma o documento. “Estabelecendo uma dicotomia entre princípios e valores positivos e negativos ele moldou, em seus seguidores, a percepção de que sua não reeleição seria fruto do cenário por ele mesmo delineado durante todo seu mandato”, conforme consta no texto. .
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Indiciados
Em andamento na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a Comissão apura os ataques contra a democracia de 8 de Janeiro. Conforme o Metrópoles adiantou, o relatório final da CPI apresentou 444 páginas e 136 indiciados.Também constam no texto o crime pelo qual cada um deve responder, no entendimento da CPI, e a prova da ação criminosa.
Os indiciados compõem quatro grupos principais. Aqueles que instigaram as pessoas a participar dos atos, aqueles que financiaram golpistas, os que foram omissos e os que efetivamente estiveram na Praça dos Três Poderes na data praticando ações violentas para anular o resultado das eleições.
A CPI dos Atos Antidemocráticos se tornou histórica na Casa e no DF. Em andamento há nove meses, a Comissão ouviu 30 pessoas entre fevereiro e novembro. Foram colhidos depoimentos de autoridades, como ex-ministros, generais, membros da alta cúpula da Polícia Militar do DF (PMDF) e da Secretaria de Segurança Pública (SSP), e de figuras-chave da tentativa de golpe, como lideranças e financiadores.
Os outros membros da Comissão também podem apresentar emendas aditivas ou supressivas, que, respectivamente, têm o poder de adicionar ou retirar nomes de indiciados, caso sejam aprovadas pela maioria. Após a votação do relatório e a conclusão total dos trabalhos, a CPI enviará o documento para os órgãos competentes, como o Ministério Público e a Advocacia-Geral da União (AGU), que podem abrir novas investigações, anexar mais elementos às apurações em andamento ou oferecer novas denúncias, por exemplo.
Deputado Distrital Hermeto
Deputado distrital Hermeto (MDB) Hugo Barreto/Metrópoles
Marco Edson Gonçalves Dias, ex-ministro chefe do GSI depõe na CPI dos Atos Antidemocráticos do dia 8 de Janeiro, na CLDF 2
General Gonçalves Dias depõe à CPI dos Atos Antidemocráticos, da CLDF Breno Esaki/Metrópoles
Deputado Distrital Fábio Felix
Deputado distrital Fábio Felix (PSol) Hugo Barreto/Metrópoles
Blogueiro Wellington Macedo de Souza depõe à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Distrito Federal CLDF 6
Hugo Barreto/Metrópoles
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, da Câmara Legislativa (CLDF), ouve o depoimento da Ana Priscila, na manhã desta quinta-feira (28/9). Ela é apontada como uma das lideranças do movimento bolsonarista, que invadiu os prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa (CLDF) ouviu o depoimento de Ana Priscila, na manhã de quinta-feira (28/9). Ela é apontada como uma das lideranças do movimento bolsonarista que invadiu os prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro Hugo Barreto/Metrópoles
Hacker Walter Delgatti Neto participa da oitiva dos antidemocráticos do 8 de Janeiro da CLDF 1
Deputados distritais na oitiva de Walter Delgatti Breno Esaki/Metrópoles
Foto-major do GSI José Eduardo Natale presta depoimento à CPI (4)
O major do GSI José Eduardo Natale Breno Esaki/Metrópoles @BrenoEsakiFoto
Presidente vai pedir prorrogação de prazo da CPI Francisco Dutra / Metrópoles
general Augusto Heleno CPI dos Atos Antidemocráticos CLDF
Hugo Barreto/Metrópoles
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O autônomo Armando Valentin Settin Lopes de Andrade, 46 anos, acabou detido em flagrante horas depois de participar da invasão às sedes dos Três Poderes Eurico Eduardo / Agência CLDF
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“Não vou comentar o depoimento do general aqui. Mas houve operação com 500 policiais militares ali parados, esperando autorização do Exército para retirar o acampamento. Alguém vir aqui e dizer que [a PMDF] não agiu, [que] não era atribuição [dela], [que] não estava fazendo, é meio complicado. Precisa ser apurado por essa CPI”, afirmou Hugo Barreto/Metrópoles