A expansão da Copa do Mundo para 48 seleções permitiu a entrada de algumas ‘zebras’. Dentre elas, quatro seleções que nunca disputaram o torneio mundial e irão fazer a sua estreia na edição de 2026. São elas: Cabo Verde, Jordânia, Uzbequistão e Curaçao.
Abaixo, a Gazeta Esportiva traz um resumo sobre cada uma das quatro estreantes no Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá.
A surpresa africana
A evolução da seleção de Cabo Verde no cenário internacional chama atenção. A equipe disputou sua primeira partida em 1978 e se filiou à Fifa em 1986. A estreia na Copa Africana de Nações aconteceu apenas em 2013, quando surpreendeu ao chegar às quartas de final – campanha repetida posteriormente, consolidando sua presença entre as seleções competitivas do continente.
Ao longo dos anos, muitos atletas com raízes cabo-verdianas optaram por defender outras seleções. No entanto, a federação local intensificou o trabalho de captação de talentos da diáspora, fortalecendo o elenco. Sob o comando de Bubista, ex-capitão da equipe, Cabo Verde ganhou consistência e voltou a se destacar, especialmente na campanha até as quartas da Copa Africana de Nações de 2023.
Nas Eliminatórias, os Tubarões Azuis reagiram após um início irregular e embalaram uma sequência de vitórias, incluindo triunfos sobre seleções fortes como Angola e Camarões. O ataque liderado por Dailon Livramento, aliado à experiência de nomes como Ryan Mendes, maior artilheiro da história da seleção, e do capitão Vozinha, foi fundamental para o sucesso recente da equipe.
Cabo Verde irá integrar o Grupo H da Copa do Mundo de 2026, ao lado da Arábia Saudita e de duas seleções consolidadas: Espanha e Uruguai. A estreia da equipe comandada por Bubista está agendada para o dia 15 de junho, diante dos favoritos espanhóis, em Atlanta, a partir das 13h (de Brasília).
Cabo Verde se prepara para disputar a primeira Copa do Mundo em sua história (Foto: Divulgação/Fifa)
Do quase à classificação
A classificação inédita para a Copa do Mundo representa um marco histórico para a Jordânia. Fundada em 1949 e filiada à Fifa desde 1958, a federação local viu a seleção se aproximar do torneio em 2014, quando caiu na repescagem para o Uruguai. Anos depois, o país voltou a se destacar ao alcançar a final da Copa da Ásia de 2023, terminando com o vice-campeonato.
Sob o comando de Jamal Sellami, que deu continuidade ao trabalho iniciado por Hussein Ammouta, a equipe evoluiu defensivamente e passou a apostar em transições rápidas. A estratégia trouxe resultados nas Eliminatórias, com a Jordânia liderando seu grupo na segunda fase, superando a Arábia Saudita no saldo de gols.
Na etapa decisiva, a seleção manteve o bom desempenho e garantiu a vaga ao terminar entre os primeiros colocados do grupo. Nomes como Ali Olwan, Yazan Al Naimat e Mousa Al Tamari foram fundamentais na campanha, com destaque também para a experiência do elenco, que ajudou a equipe a alcançar um feito inédito no futebol jordaniano.
A Jordânia está no Grupo J do Mundial, que também conta com a Áustria, a Argélia e a atual campeã Argentina. O primeiro jogo da equipe será contra os austríacos, no dia 17 de junho, às 01h (de Brasília), em Santa Clara.
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Cannavaro e o sonho uzbeque
O futebol no Uzbequistão tem raízes antigas, com registros desde o início do século XX e primeiras competições internacionais ainda na década de 1920. Com o passar dos anos, a seleção foi ganhando espaço no continente asiático, conquistando destaque ao vencer os Jogos Asiáticos de 1994. Apesar de tentativas frustradas nas Eliminatórias ao longo dos anos, o país finalmente garantiu sua primeira classificação para a Copa do Mundo em 2025.
A campanha histórica foi construída com consistência. Os uzbeques avançaram invictos na segunda fase das Eliminatórias e confirmaram a vaga de forma antecipada após empate com os Emirados Árabes Unidos, tornando-se a primeira seleção da Ásia Central a disputar o torneio. Na sequência, a equipe ainda conquistou a Copa das Nações da Cafa, reforçando o bom momento.
A seleção conta com nomes importantes como o capitão Eldor Shomurodov, o zagueiro Abdukodir Khusanov, destaque do Manchester City, e o jovem meia Abbosbek Fayzullaev. A chegada do técnico italiano Fabio Cannavaro, campeão mundial em 2006 como jogador, aumentou a expectativa sobre o desempenho da equipe em sua estreia no Mundial.
Campeã mundial pela Itália em 2006, Cannavaro comanda Uzbequistão na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Divulgação/Uzbequistão)
Uzbequistão ocupa o Grupo K da Copa do Mundo, junto com a Colômbia, República Democrática do Congo e uma das favoritas ao título: Portugal. A estreia será contra os sul-americanos, em confronto marcado para o dia 17 de junho, no Estádio Azteca, às 23h (de Brasília).
Uma ilha entre gigantes
Curaçao, ilha caribenha de pouco mais de 150 mil habitantes, fez história ao se tornar a seleção menos populosa a se classificar para uma Copa do Mundo. Antiga parte das Antilhas Neerlandesas, o território mantém forte ligação com os Países Baixos, o que se reflete na formação do elenco.
A Onda Azul estreou oficialmente apenas em 2011 e passou por uma reestruturação que culminou na chegada do experiente técnico Dick Advocaat, em 2024. O holandês de 78 anos, que está prestes a se tornar o treinador mais velho da história do Mundial, tem passagens por clubes europeus e pela seleção neerlandesa e foi fundamental para montar um grupo competitivo com jogadores da diáspora, em sua maioria revelados no futebol holandês.
Nas Eliminatórias, Curaçao teve campanha consistente, com vitórias sobre seleções como Barbados e Haiti, além de um empate decisivo diante da Jamaica. O elenco conta com atletas experientes no futebol europeu, como os irmãos Bacuna, o goleiro Eloy Room e o atacante Kenji Gorré.
A seleção de Curaçao tentará a sorte como a grande azarã do Grupo E da Copa do Mundo. Também integram a chave: o Equador, a Costa do Marfim e a poderosa Alemanha. A estreia da equipe será justamente diante dos tetracampeões, no dia 14 de junho, às 14h (de Brasília), em Houston.
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