O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) divulgou neste sábado (3/1) nota de repúdio aos atos de racismo praticados contra a médica Rithiele Souza Silva, alvo de ofensas racistas em um grupo de WhatsApp formado por bombeiros militares após a repercussão de um vídeo em que ela relata uma abordagem policial no Distrito Federal. O caso é investigado pela Polícia Civil (PCDF).
Em posicionamento oficial, o CRM-DF classificou a conduta como “absolutamente inadmissível” e afirmou que o racismo é crime inafiançável, além de representar uma afronta direta à Constituição Federal. “O episódio atenta contra os direitos humanos, a dignidade da pessoa e os valores fundamentais da sociedade brasileira.”
A entidade também manifestou solidariedade à médica. “Temos um compromisso inegociável com a defesa da honra e da dignidade de médicos e médicas. Há neste caso profundos impactos pessoais, profissionais e sociais decorrentes de práticas discriminatórias”, completou.
Leia também
Relembre o caso
Um vídeo publicado pela médica Rithiele Souza Silva nas redes sociais, que já ultrapassou 1,7 milhão de visualizações, deu início à repercussão do caso. Nas imagens, ela relata uma abordagem policial sofrida na região de Sobradinho, no Distrito Federal, enquanto voltava para casa.
Segundo a médica, os policiais militares pediram que ela descesse do carro e a questionaram se tinha passagens pela polícia, o que a deixou constrangida. Rithiele contou que a postura dos agentes mudou após a apresentação da carteira profissional de médica, tornando a abordagem mais tranquila.
O vídeo chegou a um grupo de WhatsApp formado por bombeiros militares. Em reação à publicação, um dos integrantes fez comentários ofensivos e de cunho racista contra a médica, utilizando termos pejorativos.
2 imagens
Fechar modal.
1 de 2
Médica Rithiele Souza relatou abordagem policial em vídeo que viralizou; após a repercussão, ela foi alvo de ofensas racistas em grupo de WhatsApp
Imagem cedida ao Metrópoles
2 de 2
Vídeo publicado pela médica Rithiele Souza, no qual ela relata uma abordagem policial no DF, ultrapassou 1,7 milhão de visualizações e deu origem à investigação sobre ofensas racistas
Imagem cedida ao Metrópoles
Rithiele tomou conhecimento das mensagens por meio de outro bombeiro militar que ela conhecia, e registrou ocorrência policial.
Posicionamentos
Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar do DF informou que ainda não foi oficialmente comunicado sobre o boletim de ocorrência, mas afirmou que, assim que houver notificação formal, será instaurado processo administrativo para apurar os fatos. A corporação ressaltou que não compactua com condutas contrárias à lei, à ética ou aos valores institucionais.
A Polícia Militar do DF afirmou que a abordagem relatada no vídeo faz parte da rotina do policiamento ostensivo e reforçou que suas ações seguem critérios técnicos e legais, devendo ocorrer de forma respeitosa e sem distinção de raça, profissão ou condição social.