O lobby das Big Techs tem moldado a legislação brasileira, através de batalhas duras no Congresso, onde conseguiram derrubar projetos de lei como o PL das Fake News, que pretendia ampliar a transparência e responsabilizá-las pelo conteúdo que publicam.
A Agência Pública investigou este lobby no especial A Mão Invisível das Big Techs, uma parceria com 17 veículos de 13 países para entender como o lobby funciona nos Congressos nacionais e nos governos. No Brasil, conseguimos mapear 1955 ações de lobby nos últimos anos. Além de visitas a congressistas e membros do governo, registramos casos de “porta giratória”, ou seja, contratar ex-funcionários públicos para fazer lobby em nome das empresas, “Astroturfing”, ou seja, financiar campanhas ou iniciativas cívicas que parecem independentes, mas que se opõem à regulamentação de forma a beneficiar os interesses das grandes plataformas online; campanhas de desinformação e propostas de alteração de texto de projetos de lei.
Agora, queremos entender como o lobby das Big Techs atua nos Estados e Municípios – mas para isso, precisamos de jornalistas que ajudem a investigá-lo em todo o Brasil.
Uma das maneiras mais comuns para obter favores com políticos locais é a realização de eventos em parcerias com as Big Techs. Jantares, eventos, cafés da manhã e patrocínios a grupos de interesse, universidades, ONGs e grupos de pesquisa também são maneiras de realizar lobby ao nível regional. Aqui no Brasil as mais atuantes são Google, Meta, Microsoft, Amazon, Oracle, X, TikTok, Open AI, Uber, 99 e Ifood.
Outra maneira que as Big Techs conquistam influência sobre o Estado brasileiro é através de contratos para prover ferramentas. Segundo um levantamento realizado pelo Grupo de Estudos em Tecnologias e Inovações na Gestão Pública (GETIP), da USP, o governo federal gastou pelo menos R$ 23 bilhões gastos em licenças de software, serviços de nuvem e aplicações de segurança contratadas de empresas como Microsoft, Oracle, Google e Red Hat.
No entanto, os estados têm contratos próprios com as Big Techs, e em alguns casos isso pode significar conflito de interesses.
São histórias como essas que convidamos você a investigar. Serão distribuídas 3 bolsas no valor de R$ 8 mil reais cada. O trabalho deve ser entregue em até três meses.
O programa de Microbolsas é destinado a jornalistas, diplomados ou não, que tenham experiência comprovada na produção de reportagens. Para fazer a inscrição, é necessário enviar uma pré-apuração, roteiro de pauta, cronograma e orçamento. A bolsa deve ser usada para custear a produção da reportagem. São aceitas inscrições de grupos e um mesmo repórter ou grupo pode enviar mais de uma pauta. Serão privilegiadas pautas de fora do eixo Rio-São Paulo.
O prazo para inscrição é até 02/03.
O regulamento do edital pode ser acessado aqui. Outras dúvidas podem devem ser encaminhadas para contato@apublica.org.
A escolha dos microbolsistas será feita pela Pública, em alinhamento com os objetivos do concurso. A avaliação considerará a consistência na pré-apuração, a originalidade e relevância da pauta, a experiência da (o) repórter, a segurança e viabilidade da pauta, além dos métodos de apuração propostos. Também levamos em consideração a diversidade racial e regional dos repórteres, bem como das pautas. Os vencedores serão anunciados na segunda quinzena de março. As reportagens serão produzidas a partir de abril de 2026.
Além da bolsa de R$ 8 mil, os repórteres recebem uma mentoria dos editores da Pública e são convidados a fazer parte de nossa rede de fellows. Os participantes da rede de fellows da Pública recebem oportunidades de estudos e de trabalho, além de convites para cursos, eventos online, encontros com a redação e debates com convidados.
Inscreva-se aqui.