Ministério da Saúde vai substituir ‘gotinha’ da poliomielite por vacina injetável em 2024

A vacina oral contra poliomielite (VOP), popularmente conhecida como “gotinha”, será oficialmente substituída pela vacina inativada (VIP), administrada via injeção, no Brasil. A transição deve ocorrer até o dia 4 de novembro deste ano, conforme previsão de Ana Frota, representante do Comitê Materno-Infantil da Sociedade Brasileira de Infectologia.

A mudança foi discutida durante a 26ª Jornada Nacional de Imunizações, realizada em Recife, onde Ana destacou que a VOP contém o vírus enfraquecido, e, em condições sanitárias inadequadas, pode resultar em casos de pólio derivados da própria vacina, embora esses casos sejam menos comuns que as infecções pelo poliovírus selvagem. “Quando os casos derivados da vacina começam a ser mais frequentes que a doença em si, é hora de as autoridades agirem”, afirmou.

A decisão de substituir a dose oral pela injetável no Brasil foi respaldada pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) e segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A VOP será reservada para o controle de surtos, como os que ocorrem na Faixa de Gaza, que recentemente registrou casos de paralisia flácida, um deles confirmado como poliomielite.

Ana Frota também lembrou que a pandemia de COVID-19, emergências humanitárias e conflitos interromperam campanhas de vacinação de rotina, deixando milhões de crianças sem imunização adequada. Entre 2019 e 2021, cerca de 67 milhões de crianças perderam doses essenciais de vacinas, segundo dados globais. A troca da vacina, portanto, é vista como uma medida necessária para fortalecer o combate à pólio no Brasil e no mundo.

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