A nomeação de Macaé Evaristo como nova ministra dos Direitos Humanos traz à tona polêmicas antigas relacionadas à sua atuação como secretária estadual de Educação de Minas Gerais. O Ministério Público (MP) do estado aponta irregularidades em contratos firmados para a aquisição de carteiras escolares entre 2015 e 2016, durante sua gestão, que teriam causado um prejuízo de R$ 5 milhões aos cofres públicos.
De acordo com o MP, foi identificado um sobrepreço de R$ 1,9 milhão nas compras, que, após correções, elevaria o valor total do prejuízo para R$ 2,6 milhões. Mesmo após a recomendação do MP para a suspensão do pregão em razão de indícios de superfaturamento, a Secretaria de Educação, na época comandada por Macaé, optou por seguir com o processo de aquisição.
Em 2021, um juiz reconheceu que havia “prova satisfatória” de superfaturamento nas compras das carteiras escolares. Esse fato reforçou as alegações do MP, que já havia destacado a negligência na condução do processo licitatório.
Em sua defesa, a nova ministra afirmou que as decisões tomadas durante sua gestão seguiram os trâmites normais e que as licitações foram conduzidas de maneira transparente. Macaé Evaristo também destacou seu compromisso com a educação pública e o combate às desigualdades, valores que marcaram sua trajetória como educadora e gestora pública.
Essas acusações colocam a ministra sob os holofotes, em um momento delicado em que sua nomeação para o Ministério dos Direitos Humanos já gerava debates em alguns setores. Macaé Evaristo é conhecida por sua forte atuação em defesa da educação pública e das políticas de inclusão racial, tendo sido a primeira mulher negra a ocupar o cargo de secretária de Educação em Minas Gerais.
O caso segue em investigação pelo Ministério Público, e a expectativa é de que novos desdobramentos tragam mais clareza sobre as irregularidades apontadas e o papel de Macaé Evaristo no processo.
Com a nomeação para o Ministério dos Direitos Humanos, Macaé terá a oportunidade de demonstrar seu compromisso com a transparência e os valores éticos que pautaram sua carreira. No entanto, as investigações ainda pendentes sobre os contratos em Minas Gerais permanecem como um ponto de atenção para sua atuação no governo federal.