Por Editoria de Política / Tribuna Independente
A instância nacional da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) anunciou a abertura de investigação sobre a eleição dos dirigentes da OCB/AL, realizada em 18 de janeiro de 2025, em meio a denúncias de interferência política e irregularidades no processo.
Em comunicado enviado na última sexta-feira (28) aos cooperados e dirigentes de Alagoas, a OCB reafirmou seu compromisso com a democracia e a transparência, ressaltando que o procedimento eletivo passará por rigorosa análise jurídica. A medida surgiu após denúncias veiculadas por veículos como a Tribuna Independente, que apontam que a atual presidente, a médica Verônica Medeiros, teria afirmado publicamente ter sido indicada pelo prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), do PL.
A posse de Verônica Medeiros como presidente da entidade tem sido alvo de intensas controvérsias. Segundo as denúncias, sua nomeação contou com a articulação do prefeito de Maceió, reforçando suspeitas de influência política na escolha. Além disso, o ex-deputado João Caldas, pai do prefeito, foi indicado para o cargo de superintendente da organização, o que gera questionamentos sobre a independência da nova gestão. Para assumir o comando, Medeiros supostamente teria recorrido a manobras judiciais já denunciadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
De acordo com o comunicado, o cooperativismo deve ser conduzido sem qualquer influência político-partidária. “O cooperativismo é um modelo de negócios fundamentado na participação democrática, na transparência e na independência, garantindo sua legitimidade e credibilidade perante a sociedade. A neutralidade político-partidária não só é um princípio do movimento cooperativista, mas também uma exigência da Lei 5.764/71 para todos os integrantes do Sistema Cooperativista Nacional”, enfatizou a nota.
O processo eleitoral, que contou com a participação de representantes de apenas 12 cooperativas – menos de 10% do total filiado à OCB/AL – está sob críticas, principalmente porque Alagoas reúne mais de 300 cooperativas na Junta Comercial e mais de 100 na OCB. Além disso, a assembleia foi anunciada exclusivamente em uma publicação oficial de um jornal local, fato que, segundo diversas fontes, pode ter comprometido o cumprimento dos prazos legais.
Em consonância com os princípios do movimento, o documento orienta os dirigentes locais a conduzir futuras indicações e homologações com a máxima participação das cooperativas e em total conformidade com as regras legais e estatutárias.
A análise jurídica da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 18 de janeiro já foi encaminhada ao Conselho de Administração da OCB/AL, e novas providências devem ser adotadas para assegurar que o processo reflita verdadeiramente a vontade dos cooperados e preserve a integridade do sistema cooperativista.
