A Fazenda Vale do Catolé, localizada na zona rural de Maceió, foi alvo de uma ação policial na manhã desta terça-feira, 10, que terminou em tensão e levantou questionamentos sobre a atuação de agentes públicos em uma disputa judicial ainda em andamento. Segundo a família proprietária da área, policiais da Polícia Militar de Alagoas entraram na propriedade acompanhando representantes da empresa Amorim Barreto Engenharia Ltda., que tentavam retirar máquinas utilizadas em obras da BR-316.
De acordo com os relatos dos moradores, a entrada na fazenda ocorreu após o gerente da empresa, identificado como Pedro, chegar ao local nas primeiras horas da manhã e cortar os arames da cerca da propriedade, abrindo passagem para o interior da área. Em seguida, segundo a família, um advogado da construtora também teria chegado ao local para acompanhar a tentativa de retirada dos equipamentos.

As máquinas são objeto de disputa judicial entre a empresa e os proprietários da fazenda. A família afirma que os equipamentos permanecem na propriedade por estarem vinculados a um processo que discute supostos danos ambientais causados durante a execução de obras contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Segundo os moradores, diante da movimentação incomum na propriedade, a própria família acionou a Polícia Militar pelo telefone 190, com o objetivo de garantir a segurança de uma moradora de 79 anos que vive na fazenda. No entanto, de acordo com os relatos, ao chegar ao local os policiais passaram a acompanhar os representantes da empresa durante a tentativa de retirada das máquinas.
A família afirma ainda que o portão da propriedade foi arrombado por policiais militares durante a ação, atribuída a um oficial identificado como tenente Túlio. Após o episódio e a tensão gerada no local, a idosa que reside na fazenda teria passado mal.
Outro ponto que chamou a atenção dos proprietários foi a presença de um homem que acompanhava os policiais e se apresentou como oficial de Justiça. Segundo a família, ele não teria apresentado identificação formal que comprovasse a função, o que levantou suspeitas sobre a legitimidade da atuação no local.
A família sustenta que a ação foi ilegal, uma vez que a disputa judicial sobre a posse das máquinas ainda está em andamento e se encontra em grau de recurso na segunda instância do Tribunal de Justiça.
Os moradores classificam o episódio como invasão de propriedade e afirmam que a retirada das máquinas poderia comprometer a produção de provas no processo judicial.
Após o ocorrido, a família informou que já apresentou representações formais pedindo apuração dos fatos na Corregedoria da Polícia Militar de Alagoas e também na corregedoria nacional, solicitando investigação sobre a atuação dos agentes envolvidos.
CONTRATO DNIT 0708766-59.2026.8.02.0001