Ligia foi processada por declarações feitas durante uma entrevista no canal O Conhecimento Liberta (ICL). No vídeo, a médica criticou o apoio do CFM ao uso da cloroquina e a falta de incentivo à vacinação. Ela também questionou o posicionamento da entidade, que tentou restringir o acesso ao aborto legal em casos de estupro.
Em nota conjunta, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestaram apoio a Ligia Bahia. As entidades destacaram que as declarações da médica refletem consensos científicos amplamente reconhecidos e que a liberdade de expressão é fundamental para o avanço da ciência e da democracia.
“Ao buscar puni-la por defender estratégias baseadas em evidências, o CFM se afasta dos princípios básicos da ciência”, diz o texto.
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Ligia Bahia foi líder da Abrasco no início dos anos 2010
Cleia Viana/Câmara dos Deputados
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Sanitarista ficou conhecida por defender o isolamento social na pandemia
Reprodução/Abrasco
Quem é Ligia Bahia?
Com doutorado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a acadêmica tem mais de três décadas de experiência em políticas de saúde, sistemas de proteção social e relações entre os setores público e privado.
Ela é conhecida pela atuação como membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), instituição que muitas vezes faz frente a políticas excludentes adotadas pelos planos de saúde.
“Nossas ações defendem a formulação de políticas essenciais à garantia do direito à saúde; avaliam os tempos de espera e a dignidade do atendimento, as garantias de coberturas, a regulação de preços; os usos e abusos dos planos de saúde privados”, resumiu ela na abertura do 10º Congresso Brasileiro de Saúde Pública, em 2012.
“A recomendação devia ser o fechamento radical da circulação de pessoas por duas ou três semanas. Devia haver testagem ampla para todas as pessoas que apresentassem sintomas. O isolamento dos que testarem positivo deve ser, de preferência, em outros locais para impedir a transmissão intradomiciliar. Além disso, teria de ter ampliação da rede pública de serviços de saúde”, indicou a sanitarista à época.