O policial militar Renato Caldas Paranã, de 41 anos, lecionava como professor temporário no Centro de Ensino Especial 1 do Guará quando quebrou o braço de um aluno autista de 15 anos.
O caso aconteceu no dia 7 de novembro. O estudante precisou ser levado ao Hospital de Base, onde passou por cirurgia para colocação de pinos de titânio. Ele recebeu alta três dias depois.
Renato foi contratado após ser aprovado e classificado em 3º lugar no Processo Seletivo Simplificado para a contratação de professores temporários, em 2022.
O terceiro-sargento da Polícia Militar (PMDF) teria fraturado o braço do aluno durante uma crise do adolescente, que tem transtorno do espectro autista (TEA) de nível 3 e de desenvolvimento global (TGD) não verbal.
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Policial militar e professor temporário Renato Caldas Paranã Material cedido ao Metrópoles
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Renato é terceiro-sargento da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Material cedido ao Metrópoles
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Adolescente quebrou braço de adolescente autista no Centro de Ensino Especial 1 do Guará Material cedido ao Metrópoles
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À reportagem testemunhas contaram que vítima é autista não verbal de nível 3 Material cedido ao Metrópoles
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Uma das característica dele é “não deixar que o toquem”, segundo vice-diretora Material cedido ao Metrópoles
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Após a agressão, o jovem precisou ser levado para o Hospital de Base, onde passou por cirurgia para colocação de pinos de titânio Material cedido ao Metrópoles
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Renato teria se aproximado do adolescente e o segurado “com muita força pelos braços”, segundo o boletim de ocorrência do caso, registrado pela mãe do estudante, Angélica Rego Soriano, de 35 anos.
A vice-diretora do colégio também contou à polícia que pediu para o PM interromper a ação, mas ele não teria seguido as ordens da dirigente. Ao sair para pedir ajuda a uma psicóloga, a educadora ouviu um “grito muito alto”, que a fez voltar. Nesse momento, encontrou o adolescente caído ao chão, com o braço quebrado.
Em nota, a SEEDF informou que o professor foi afastado. “A pasta informa que o professor foi imediatamente afastado, e o caso é apurado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da SEEDF, que tomará todas as medidas cabíveis […]. A SEEDF reforçou que repudia qualquer ato de violência e que prestará todo o auxílio necessário ao estudante”, completou o órgão.
Entenda o caso
O adolescente de 15 anos teve o braço fraturado pelo terceiro-sargento da PMDF Renato Caldas Paranã, na última terça-feira (7/11), durante uma crise do jovem, que tem transtorno do espectro autista (TEA) de nível 3 e de desenvolvimento global (TGD) não verbal. A vítima foi levada ao Hospital de Base, onde passou por cirurgia para colocação de pinos de titânio. O paciente recebeu alta na sexta-feira (10/11).
Na data do ocorrido, o estudante estaria agitado; por esse motivo, alguns funcionários da escola tentaram acalmá-lo. Angélica relatou que o militar teria imobilizado o adolescente, em vez de tentar acalmá-lo. “A vice-diretora disse que pediu várias vezes para [Renato] parar, mas ele não soltava meu filho. E ele não prestou socorro. Mesmo com meu menino no chão, com o braço quebrado, o professor continuava brigando. Então, outros educadores ajudaram e acionaram os bombeiros”, contou a mãe do estudante.
Ao Metrópoles Angélica detalhou que, após o episódio, um grupo de mães disse a ela que Renato “era muito ríspido com crianças especiais”. “Meu filho não é uma pessoa agressiva, mas, ultimamente, estava resistente. Cheguei a ir à escola dele para saber o motivo disso, porque ele estava diferente. Toda terça-feira não queria ir para o colégio, justamente nos dias em que tinha aula com esse professor”, completou Angélica.
“Acidente”
Em nota, a PMDF considerou o caso um “acidente” e informou que a situação “ocorreu após o professor, concursado da Secretaria de Educação do Distrito Federal, ter sido chamado para ajudar na contenção de um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 não verbal”.
“[O estudante] estava em crise nervosa, agredindo outros alunos e funcionários. Durante o atendimento, ele teve uma segunda crise nervosa, desequilibrou-se e caiu. Antes da queda, o professor tentava acalmá-lo e, por isso, segurava o braço dele, visando impedir que se machucasse ou ferisse outro aluno. A lesão teria ocorrido nesse contexto. O professor, de imediato, realizou os primeiros-socorros e solicitou apoio do Corpo de Bombeiros Militar”, comunicou a PMDF.
A corporação mencionou, ainda, que a Emenda Constitucional (EC) nº 101/2019 autoriza acumulação de cargos públicos por militares. “A PMDF esclarece que tomou ciência da situação por meio desta demanda [do Metrópoles]. No entanto, frisa-se que o ocorrido não se deu em atividade policial militar”, enfatizou.
A defesa de Renato Caldas Paranã não havia sido localizada até a mais recente atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.