STF mantém proibida derrubada em região de interesse dos Caiado

A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) foi unânime em manter proibida a desocupação das casas da fazenda Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO). Em votação concluída nesta sexta-feira (29/8), os quatro ministros da turma acompanharam o relator Edson Fachin.

Em 5 de agosto deste ano, Fachin, em seu voto, levou em conta o fato de a Fundação Cultural Palmares ter acatado a autodeclaração dos moradores da Antinha de Baixo como região quilombola — a população do local aponta que cidadãos escravizados ocupavam aquelas terras cerca de 400 anos atrás.

A decisão responde a uma reclamação impetrada pelos moradores da Antinha de Baixo, que usaram como justificativa a autodeclaração como região quilombola.

Votaram acompanhando o relator Fachin os ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, Gilmar Mendes e André Mendonça. O mérito da questão deve ser votado posteriormente, sem data prevista.

Conforme revelou o Metrópoles, dezenas de famílias chegaram a perder seus lares para que a propriedade da região fosse destinada a herdeiros da família do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

Entenda a batalha judicial

“Tiraram tudo o que era meu”

Como dito acima, ao menos 32 famílias chegaram a ser desapropriadas e ficar sem lugar para morar antes de o STF intervir no caso.

8 imagensFechar modal.1 de 8

Fazenda Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO)

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)2 de 8

População da Antinha de Baixo

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)3 de 8

Região seria quilombola; tal fator levou o STF a suspender as derrubadas

Vinícius Schmidt/Metrópoles (@vinicius.foto)4 de 8

Lídia Rosa Silva, 61, é uma das moradoras que perderam casa

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)5 de 8

Katleen Silva, 38, é uma das moradoras que ficou sem teto

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)6 de 8

Viviane Barros, 42, revisita os escombros da sua propriedade

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)7 de 8

Ela e o marido, o rodoviário Wilson Rabelo, 38, ao lado do Pipoco, cavalo de estimação da família

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)8 de 8

Murilo Caiado, primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, é um dos herdeiros, de acordo com o TJGO

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A servidora pública Lídia Rosa Silva, 61 anos, é uma das moradoras.

Lídia alega nunca ter sentido tanta dor e decepção. Ela não teve coragem para visitar os escombros da própria casa. “Não consegui descer do carro. Quando passei e vi os tijolos no chão, não consegui”, relata.

“Eu sei cada tijolinho que tem ali. Quantas vezes eu mesma trabalhei fazendo massa de cimento porque eu não tinha dinheiro para pagar o servente…”, afirma Lídia, que mora na Antinha de Baixo há 12 anos.

“Eles tiraram tudo o que era meu. Minha casa, meus bichos, minhas galinhas, minha horta. Acabou tudo, foi tudo destruído.”

A agricultora familiar Katleen Silva, 38, também foi obrigada a deixar o lar em 4 de agosto. “A palavra é dor. O sonho de toda uma vida hoje está aqui”, dissw Katleen à época, apontando para os tijolos de casa quebrados, os móveis largados e algumas peças de roupas perdidas.

A motorista de transporte coletivo Viviane Barros, 42, é mais uma moradora da Antinha de Baixo que viu um trator destruir o imóvel que levou anos para ser erguido. “Nossa vida toda estava aqui. São mais de 10 anos.”

Sair da versão mobile