Raimundo foi preso em 28 de outubro. Na data, após Raimundo fugir da blitz, Islan da Cruz Nogueira, 24, passageiro que estava com ele no carro, acabou baleado por policiais militares e morreu na hora.
A decisão de conceder o habeas corpus partiu da ministra recém-empossada no STJ Daniela Teixeira. O empresário estava preso preventivamente. Porém, para ela, não há elemento concreto que indique risco à sociedade caso Raimundo respondesse ao processo em liberdade.
Na decisão, Daniela Teixeira também ressaltou que o caso envolve a apuração de supostos abusos cometidos pela PMDF. “Há suspeitas de excessos nessa abordagem, o que fragiliza […] a tese acusatória de tentativa de homicídio contra o policial apontado como vítima”, afirmou a ministra. Na ocasião, um policial acabou atropelado pelo motorista da BMW.
“Importante destacar, ainda, que o referido policial sofreu lesões leves, tendo sido encaminhado ao hospital e, logo em seguida, liberado”, completou Daniela Teixeira.
“Medida extrema”
Para a defesa do empresário, não havia elementos para manutenção da prisão preventiva de Raimundo. “A prisão preventiva não detém caráter punitivo, mas instrumental. A natureza e a gravidade do delito em abstrato não constituem fundamento idôneo para decretação da prisão. A tipificação do crime, a conclusão das investigações, o oferecimento ou o recebimento da denúncia também não podem dar amparo à medida extrema de encarceramento” , argumentou Wilibrando Albuquerque, advogado do empresário.
A corporação informou, à época do caso, que havia montado uma blitz da Operação Álcool Zero na DF-010, perto de bares. Por volta das 23h, policiais pararam o motorista da BMW.
Os militares teriam pedido que Raimundo descesse do automóvel. No entanto, segundo a PMDF, ele não obedeceu ao comando e arrancou com o carro.
Nesse momento, o motorista teria atropelado um PM e fugido. Policiais perseguiram o veículo do empresário, atiraram e acertaram Islan na cabeça.
Além disso, os militares alegaram que o motorista estaria alcoolizado. A alcoolemia de Raimundo acabou comprovada por exame feito no Instituto de Medicina Legal (IML).