A controvérsia em torno da venda da Fazenda Vale do Catolé, em Alagoas, ganhou um novo e delicado capítulo nesta semana. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 300 milhões e vendido por apenas R$ 2,6 milhões com autorização judicial, voltou ao centro do debate após a entrada não autorizada de pessoas ligadas ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em área pertencente ao espólio da família proprietária.
Localizada às margens da BR-316 e considerada estratégica pelo elevado potencial imobiliário, a fazenda foi alienada no curso de um inventário que se arrasta há aproximadamente 25 anos. Segundo os herdeiros, a operação atingiu cerca de 78% de todo o patrimônio do espólio e ocorreu sem ciência efetiva da família, sob a justificativa de pagamento de honorários advocatícios e despesas processuais.
O caso envolve ainda uma viúva de 79 anos, que reside no local há décadas e enfrenta risco de despejo. Foi ela, segundo relatos da família, quem tomou a iniciativa de reagir à ocupação indevida e determinou a retirada imediata dos invasores da propriedade, restabelecendo a posse da área após resistência inicial dos ocupantes.

Demarcação e reação da família
De acordo com os herdeiros, servidores do DNIT estiveram dentro da fazenda realizando demarcações de uma faixa de 30 metros a partir da pista da BR-316. Dois homens permaneceram no local, atuando na vigilância da área, mesmo após solicitação para que se retirassem. A situação foi contornada após intervenção direta da matriarca, que exigiu a saída de todos os ocupantes da terra.
A advogada da família relatou que buscou esclarecimentos junto ao diretor do DNIT em Maceió, Nicolas Souto, que negou qualquer intervenção no local, bem como a autorização para a instalação de placas na propriedade. Segundo ela, diante da gravidade dos fatos, já foram adotadas todas as providências cabíveis junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Advertência formal ao DNIT
Após o episódio, a defesa encaminhou comunicação formal ao DNIT informando que, a partir de 27 de janeiro de 2026, fica proibida qualquer entrada ou intervenção do órgão na propriedade, sob pena de responsabilização civil e criminal por eventual invasão de bem particular.
Questionamentos ao Judiciário
A venda do imóvel segue sendo contestada judicialmente. Os advogados da família preparam representação ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na qual questionam a condução do inventário e a atuação do inventariante dativo, servidor do próprio Tribunal de Justiça de Alagoas, circunstância apontada como possível conflito de interesses.