A missão de derrubar mais um gigante na Filadélfia, neste sábado (4), beira o épico. O Paraguai chega empolgado após eliminar a Alemanha, mas despachar a França de Kylian Mbappé nas oitavas de final da Copa do Mundo é um feito de patamar completamente diferente.
Apesar do enorme desafio, o técnico Gustavo Alfaro, o arquiteto por trás da recém-descoberta capacidade da ‘Albirroja’ de sonhar, está confiante de que pode continuar transformando suas visões ambiciosas em realidade, utilizando uma combinação que domina como poucos: muralhas defensivas, contra-ataques e uma resiliência inabalável.
Davi contra Golias
Desta vez, a tarefa difícil exigirá, no mínimo, um esforço extra e um pouco de sorte, visto que não é por acaso que os ‘Bleus’ derrotaram Senegal (3 a 1), Iraque (3 a 0), Noruega (4 a 1) e Suécia (3 a 0).
Quatro vitórias em quatro jogos, 13 gols marcados e apenas dois sofridos demonstram parte da força da equipe de Didier Deschamps, grande favorita a levantar o troféu da Copa do Mundo no dia 19 de julho.
Mas é preciso ver Mbappé, Michael Olise e Ousmane Dembélé jogarem juntos para perceber que o mundo provavelmente está testemunhando um time histórico.
O astro do Real Madrid, que marcou seis gols, disputa com Lionel Messi a liderança da artilharia, enquanto Olise lidera a lista de assistências, com cinco.
“A França é uma tempestade. E esses raios, que vêm de qualquer lugar, têm o gol como alvo. Portanto, sabemos que uma tempestade se aproxima e precisamos descobrir como evitar os raios”, disse Alfaro nesta sexta-feira, na Filadélfia.
“Nada a perder”
Em busca de seu terceiro título mundial, os ‘Bleus’ aprimoraram uma máquina de ataque que, por incrível que pareça, não marcou tantos gols quanto deveria na América do Norte.
É por isso que os franceses serão o teste mais difícil que a ‘Albirroja’ já enfrentou, mesmo depois de mandar a Alemanha para casa (4-3 nos pênaltis, após empate em 1 a 1) na última segunda-feira, em Foxborough, graças a uma atuação brilhante do goleiro Orlando Gill.
Os alemães não conseguiram romper a retranca montada por Alfaro e seus jogadores, que estrearam no Mundial sofrendo uma goleada de 4 a 1 para os Estados Unidos.
É verdade que marcar gols contra o Paraguai pode ser uma tarefa difícil, mas também é verdade que os alemães mostraram poucos indícios de que estão prontos para retornar ao grupo de elite.
O desafio derrubar a muralha sul-americana pode ser exatamente o que Deschamps busca para ajustar seleção francesa, da qual irá se despedir após a Copa do Mundo.
Depois da goleada sobre a Suécia, o treinador pediu, em tom de brincadeira, que os repórteres encontrassem “problemas” em sua equipe, para que nem tudo fosse “bonito e cor de rosa”.
“O Paraguai tem qualidade e vai aproveitar ao máximo sua oportunidade. Eles não têm nada a perder”, alertou Deschamps.
Aos 57 anos, o técnico francês fala com base na experiência. Ele conhece em primeira mão os desafios de superar o Paraguai, cuja atual geração tem como principais armas os atacantes Julio Enciso e Miguel Almirón.
Calor, umidade e tempestade?
Nas oitavas de final da Copa de 1998, na França, o lendário goleiro paraguaio José Luis Chilavert e seus companheiros de equipe levaram os futuros campeões mundiais à prorrogação, em uma partida decidida apenas pelo gol de ouro do zagueiro Laurent Blanc.
Deschamps foi o capitão daquela equipe na conquista de sua primeira estrela. Como técnico, repetiu o feito na Rússia em 2018, embora a glória tenha escapado de suas mãos contra a Argentina, quatro anos depois, no Catar.
A necessidade de evoluir, o que pode parecer falsa modéstia, não é algo exclusivo do técnico francês. Mbappé também acredita que a França pode se “aperfeiçoar”.
“Ainda vamos trabalhar para ver o que podemos melhorar”, disse o capitão, incansável em sua busca por superar Messi como o maior artilheiro da história das Copas do Mundo.
O duelo, cujo vencedor enfrentará Marrocos ou Canadá nas quartas de final, contará, no entanto, com um fator extracampo importante: o clima.
Espera-se que a onda de calor extrema que atingiu o leste dos Estados Unidos afete a Filadélfia, com temperaturas de 34°C no início da partida (17h no horário local, às 18h de Brasília).
Há também risco de tempestades, o que poderia levar à interrupção ou ao adiamento da partida.
*Conteúdo produzido pela AFP
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