O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), ingressou com uma queixa-crime na Justiça contra a advogada Adriana Mangabeira Wanderley por comentários publicados nas redes sociais relacionados ao caso do Banco Master.
A ação, fundamentada nos crimes de calúnia e difamação, sustenta que a advogada fez acusações sem comprovação em comentários publicados no Instagram, no dia 3 de abril de 2026.
Segundo a queixa, a advogada também afirmou que o ex-prefeito teria desviado R$ 117 milhões e que “deveria ser preso”. A defesa de JHC rebate, afirmando que as declarações são inverídicas, não apresentam qualquer comprovação e se baseiam em alegações sem fonte oficial. O texto ressalta ainda que o Iprev possui autonomia administrativa, e que decisões de investimento não são de responsabilidade direta do chefe do Executivo.
Os advogados argumentam que os comentários foram feitos em ambiente de ampla divulgação, o que potencializa danos à imagem do ex-prefeito. A ação pede a remoção das publicações e a proibição de novos conteúdos semelhantes, sob pena de multa diária.
Advogada nega ciência da ação, amplia críticas e anuncia estratégia jurídica
Procurada, Adriana Mangabeira afirmou que não foi formalmente citada ou intimada e disse desconhecer a existência do processo. Ainda assim, reiterou as acusações e ampliou o teor das declarações.
A advogada voltou a sustentar que houve desvio de recursos ligados ao Iprev, mencionando o então secretário Ronnie Mota, e questionou o destino de valores de aposentados. Também afirmou que Daniel Vorcaro teria emprestado aeronaves utilizadas na campanha de Marluce Caldas ao STJ, durante a qual, segundo ela, teriam percorrido os 26 estados e o Distrito Federal.
Adriana acrescentou que, em 2025, cobrou explicações sobre o acordo entre a Prefeitura de Maceió e a Braskem, afirmando que vítimas ainda enfrentam consequências e que o portal da transparência teria sido fechado.
Em nota, a advogada declarou:
“Fui processada. O motivo? Falar a verdade aqui com vocês. Meu compromisso é com a verdade e com cada um dos meus seguidores que confia no meu trabalho. No meu Instagram tenho mais de 500 mil visualizações mensal. Acredito na liberdade de expressão e que vocês têm o direito de saber dos fatos, sem filtro e sem medo. Se tentar me calar na Justiça é o caminho que escolheram, o meu caminho vai continuar sendo o da transparência. Eu não devo satisfações a quem se incomoda com a verdade. Devo respeito a quem me segue. Seguimos juntas. E não vão me calar.”
A advogada afirmou ainda que, quando for formalmente citada, pretende apresentar a chamada “exceção da verdade”, instrumento jurídico utilizado em casos de crimes contra a honra para comprovar a veracidade das declarações feitas.
O embate entre as partes não é inédito. Em 2025, o Tribunal de Justiça de Alagoas analisou ação semelhante movida por JHC. Na ocasião, a desembargadora Elisabeth Carvalho rejeitou parte dos pedidos do então prefeito, como a suspensão do perfil da advogada e a proibição de novas manifestações, determinando apenas a exclusão de uma publicação específica.
