A investigação da Polícia Federal que embasa a 8ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (26), aponta uma relação de forte proximidade entre o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo o relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, diálogos apreendidos em aparelhos celulares do empresário revelam contatos frequentes, encontros presenciais e viagens realizadas no Brasil e no exterior.
O material foi enviado ao ministro André Mendonça, responsável por autorizar medidas da nova fase da operação. Por determinação do magistrado, Cláudio Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência, no Rio de Janeiro.
A decisão do ministro descreve uma relação considerada estratégica pelos investigadores para a liberação de bilhões de reais do Rioprevidência em operações ligadas ao Banco Master. De acordo com a PF, encontros reservados e interlocuções constantes entre Castro e Vorcaro antecederam decisões administrativas que favoreceram a instituição financeira.
O relatório sustenta que a relação entre o então governador e o banqueiro extrapolava o ambiente institucional. Investigadores afirmam que Daniel Vorcaro teria custeado viagens internacionais de Cláudio Castro e mantinha acesso direto a integrantes da cúpula do governo fluminense. Para a PF e o Ministério Público Federal, a proximidade contribuiu para um “alinhamento político” que teria orientado aplicações bilionárias do fundo previdenciário estadual.
As suspeitas concentram-se em aportes estimados em R$ 3,69 bilhões realizados pelo Rioprevidência entre outubro de 2023 e outubro de 2025 em Letras Financeiras e fundos vinculados ao Banco Master. Segundo os investigadores, parte das operações foi autorizada apesar de manifestações técnicas contrárias e de alertas internos sobre riscos financeiros considerados elevados.
A PF também aponta que mudanças promovidas na direção do Rioprevidência pouco antes do início dos aportes tiveram papel decisivo para viabilizar as operações. A investigação trabalha com a hipótese de que cargos estratégicos foram ocupados por pessoas alinhadas politicamente ao grupo de Cláudio Castro para garantir a aprovação dos investimentos, mesmo diante de possíveis restrições regulatórias.
Nos bastidores, a nova fase da operação amplia a pressão sobre aliados do ex-governador e aumenta o alcance político das investigações envolvendo o Banco Master. A apuração segue sob supervisão do STF e pode avançar sobre outros agentes públicos e operadores financeiros ligados às operações investigadas.