O Palmeiras montou uma “força-tarefa” para recuperar Piquerez a tempo da Copa do Mundo. O lateral esquerdo sofreu uma lesão ligamentar no tornozelo direito em amistoso da seleção do Uruguai contra a Inglaterra, em março, passou por cirurgia e iniciou uma corrida contra o tempo para disputar o Mundial.
O processo envolveu diferentes áreas do clube e contou com integração direta com a comissão técnica do Uruguai até a liberação do jogador, no fim de maio, para finalizar a recuperação com a delegação que estaria no Mundial, disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.
Apesar de ter sido convocado por Marcelo Bielsa, Piquerez não entrou em campo pela seleção do Uruguai nas duas primeiras rodadas da fase de grupos, nos empates contra Arábia Saudita e Cabo Verde. O lateral, portanto, vive expectativa de ganhar minutos.
Situação do Uruguai na Copa
Com dois empates, o Uruguai tem dois pontos e ocupa o segundo lugar no Grupo H, dois atrás da Espanha e empatado com Cabo Verde, terceira colocada. A Arábia Saudita fecha a chave, com um ponto. Os comandados de Bielsa vão para a última rodada buscando a vaga na próxima fase.
Trabalho multidisciplinar
O coordenador do Núcleo de Saúde e Performance do Palmeiras, Daniel Gonçalves, destacou o empenho coletivo para garantir que o atleta chegasse em condições de disputar o Mundial.
“O tempo ficou curto desde a lesão sofrida na seleção do Uruguai até a Copa do Mundo. Então, houve uma força-tarefa, muito empenho do jogador para que ele se reabilitasse de forma que conseguisse ainda se apresentar à seleção uruguaia em condições capazes de mostrar que ele estaria apto a jogar o Mundial”, destacou.
O profissional detalhou que o trabalho envolveu diversas áreas do clube, indo além da recuperação física. No processo, o Palmeiras apostou em estímulos mentais e neurológicos.
“Os médicos, fisioterapia, biomecânica, preparação física também dando suporte para que ele conseguisse se restabelecer prontamente. Como existiam limitações físicas e obviamente de movimento, mas a gente sabe que o cérebro pode ser estimulado de diversas maneiras, de uma maneira que também seja transferível para o jogo”, explicou.
“Diante do nosso modelo aqui de neurociência, a gente crê que essa capacidade de mapeamento do contato visual, da velocidade de processamento, da memória operacional, do foco, tudo isso possa transferir para o jogo. Isso foi feito visando também esse pleno desenvolvimento do atleta e mantendo essas questões de competição, principalmente ao nível mental e neural do Piquerez”, seguiu.
Etapas da recuperação
Daniel Gonçalves também detalhou as fases do tratamento até o retorno do atleta aos gramados. Antes de se apresentar à seleção, Piquerez já fazia trabalhos no campo, ao lado de atletas da base, sob supervisão dos profissionais do NSP.
“Mesmo com tempo curto, houve muito empenho, uma força-tarefa desde o processo cirúrgico e aí você tem limitações. A primeira fase é a diminuição do quadro álgico, diminuição da percepção de dor, da inflamação promovida ali até pelo acesso do local”, detalhou.
“E depois as medidas de ganho de mobilidade, de redução de edema, depois de ganho de funcionalidade para que, por fim, ele pudesse ir a campo restabelecer sua parte mecânica. Então, é o que a gente chama ali de aspectos de readaptação sensório-motora, de forma que gradativamente ele estivesse apto para depois, junto à seleção do Uruguai, ele conseguir treinar de uma maneira mais intensa e também treinar futebol com a equipe”, completou.
Trabalho de biomecânica e controle motor
Responsável pela área de biomecânica, Jéssica Fernandes ressaltou que o foco foi acelerar a funcionalidade do atleta desde o início da recuperação. A profissional também destacou a importância do controle neuromuscular para evitar insegurança no retorno aos gramados.
“Teve um trabalho mais específico comigo por parte de biomecânica e controle motor. Então eu atendi o Piquerez desde o início do processo junto com o Marcelo (fisioterapeuta). Acho que a função inicial era a gente fazer um trabalho mais focado em funcionalidade desde o princípio”, disse.
“A ideia é tornar o atleta o mais capacitado funcionalmente possível para que ele conseguisse avançar as etapas de um processo de reabilitação, favorecer o controle neuromuscular de forma muito específica para o esporte, para que a gente não acumule nenhuma deficiência que possa fazer com que esse atleta esteja inseguro no esporte ou que ele performe de forma diminuída do que já foi um dia”, seguiu.
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Integração com a seleção uruguaia
Desde a decisão pelo procedimento cirúrgico, o Palmeiras manteve comunicação direta com a seleção do Uruguai para garantir a continuidade do processo. Jéssica destacou a integração entre os departamentos.
“No momento em que esse atleta iria começar um trabalho de transição junto à seleção uruguaia, a gente teve uma conexão direta com a equipe de preparação física do Uruguai, então a gente mandou um relatório, a gente tinha um contato direto, tanto os médicos quanto a preparação. Então, essa transição também foi feita de forma muito cuidadosa para que eles conseguissem dar seguimento no que foi feito aqui lá e esse atleta tivesse um retorno pleno”, finalizou Jéssica.
O post Entenda como funcionou “força-tarefa” de Palmeiras e Uruguai para Piquerez ir à Copa apareceu primeiro em Gazeta Esportiva.