Regulamento para seleção de dez jornalistas para participar do Curso Pública de Jornalismo 2026. A formação da Agência Pública é voltada exclusivamente para pessoas autodeclaradas negras, indígenas e trans que tenham concluído a graduação de jornalismo nos últimos três anos.
Sobre a Agência Pública
Fundada em 2011 por jornalistas mulheres, a Agência Pública é a primeira agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos do Brasil. Todas as nossas matérias são baseadas em rigorosas apurações de fatos e na defesa intransigente dos direitos humanos. Temos uma dupla missão: produzir jornalismo investigativo e fomentar o jornalismo independente no Brasil.
Em 15 anos de existência, a Pública se tornou referência em inovação, credibilidade e rigor no jornalismo. Somos a agência de notícias mais premiada do Brasil e o primeiro veículo de comunicação brasileiro indicado ao Prêmio Liberdade de Imprensa, da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Ao longo de nossa história, conquistamos 90 prêmios. Entre eles, o Gabriel García Márquez, o prêmio Excelencia Periodistica da Sociedad Americana de Prensa (SIP), o prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, o Prêmio Comunique-se, o Troféu Mulher Imprensa e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 2025, fomos selecionados como melhor veículo geral no Prêmio +Admirados Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira.
Como parte da missão de fomentar o jornalismo independente, a Pública organiza programas de mentoria para jornalistas, microbolsas de reportagens, foi incubadora para outros veículos e apoiou a criação de festivais e de associações de jornalismo.
Desde 2012, mais de 140 jornalistas já participaram dos programas de formação da Pública, sendo o principal deles o Programa de Microbolsas, que oferece bolsas de reportagem e mentoria editorial para que jornalistas independentes possam desenvolver suas investigações e publicá-las em nosso site. Nesse contexto, vale destacar também o Programa de Formação para Repórteres Indígenas, que já teve três edições desde 2022 e apoiou 16 comunicadores indígenas até hoje. Em 2025, lançamos a Rede de Fellows da Pública, que conta atualmente com mais de cem jornalistas que passaram pelos nossos programas de formação. A Rede é um espaço para divulgação de oportunidades e para a colaboração e networking entre os participantes.
Objetivos do Curso Pública de Jornalismo
O Curso Pública de Jornalismo, um programa de treinamento intensivo, prático e imersivo, é mais uma iniciativa da Pública de fomento ao jornalismo independente, em parceria com a Fundação Itaú e Imaginable Futures. O programa tem como objetivo formar jornalistas comprometidos com o interesse público e com a defesa dos direitos humanos, bem como contribuir para ampliar a diversidade no jornalismo brasileiro. É voltado para jornalistas formados há até três anos (com data de formação de dezembro de 2022 em diante), que se autodeclaram negros, indígenas ou trans.
As dez pessoas selecionadas vão participar de um treinamento online (156h de aulas no total) e de um período de prática presencial de três meses nas redações da Pública em São Paulo ou em Brasília. Também vão elaborar e entregar um projeto pessoal aprofundado, bem como participar de mentorias profissionais e atividades de desenvolvimento de carreira.
Trainees vão receber uma bolsa-auxílio durante quatro meses, no valor de R$ 2 mil mensais. Não residentes em São Paulo ou Brasília receberão um adicional de R$ 2 mil mensais durante o período do treinamento presencial, como ajuda de custo para cobrir gastos com hospedagem. Para esses participantes, o programa também vai cobrir gastos com passagens para deslocamento até São Paulo ou Brasília.
Inscrições
As pessoas selecionadas são elegíveis a dez vagas, que lhes darão acesso às aulas online, ao período de práticas presenciais, às mentorias profissionais e de desenvolvimento de carreira, além de garantir os recursos destinados a apoiar a permanência no programa.
As inscrições devem ser feitas até 23h59 do dia 15 de Maio de 2026, por meio do formulário de inscrições.
Todas as pessoas interessadas devem se inscrever pelo formulário, onde são pedidas diversas informações, como:
Informações pessoais e de contato;
Currículo;
Retrato atual para identificação;
Carta de apresentação (de até uma página), contando experiências pessoais e profissionais mais relevantes e por que a pessoa deseja participar do Curso Pública de Jornalismo;
Descreva o jornalismo da Agência Pública, comparado ao de outros veículos? (Resposta de até 1000 caracteres);
Descreva sua experiência profissional em jornalismo ou em outras áreas (Resposta de até 1000 caracteres);
Descreva um trabalho que considere relevante, que pode ser uma reportagem, projeto pessoal ou experiência acadêmica em jornalismo. (Resposta de até 1000 caracteres). Há um espaço para incluir links do trabalho mencionado.
Atenção: As reportagens da Pública primam pela originalidade e humanidade, e valorizam o repórter. Nos textos e cases do processo seletivo, queremos avaliar a capacidade de escrita e criatividade da pessoa candidata, por isso, não é permitido o uso de IA. Quer saber mais? Leia a Política de Uso de Inteligência Artificial da Agência Pública.
Nas fases seguintes da seleção, outros documentos serão solicitados:
Histórico escolar do ensino fundamental e médio;
Diploma do ensino superior em Jornalismo, ou outro documento que comprove a conclusão do curso, caso o diploma não tenha ainda sido emitido;
Documento pessoal válido, com foto (RG ou CNI);
Autodeclaração de pertencimento étnico-racial (para negros ou indígenas) ou de identidade de pessoas trans;
No caso de indígenas: declaração de sua comunidade sobre sua condição de pertencimento étnico e moradia, assinada por pelo menos três lideranças reconhecidas, além de um documento que comprove que a comunidade onde reside é reconhecida pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas ou pelo movimento indígena regional.
Do julgamento
A comissão julgadora levará em conta os seguintes critérios:
Trajetória pessoal;
Experiência profissional ou em projetos pessoais;
Avaliação de testes escritos e de trabalhos já publicados;
Desempenho em entrevistas nas fases 1 e 3 do processo seletivo.
Durante a seleção, será considerado ainda o critério de diversidade regional, com prioridade para pessoas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A definição final das pessoas aprovadas ficará a cargo da Agência Pública.
Pessoas selecionadas em fase preliminar passarão por entrevistas, organizadas em parceria com a consultoria de diversidade Indique uma Preta, que acompanhará todo o processo de seleção. Tais entrevistas poderão também cumprir o papel de banca de heteroidentificação, a critério da organização do programa. O processo seletivo vai incluir ainda uma etapa de teste escrito.
Do resultado
As pessoas selecionadas serão anunciadas em julho no site da Agência Pública. Elas receberão também uma comunicação por email acompanhada de um termo de compromisso que deve ser assinado.
O termo de compromisso não constitui vínculo empregatício. A Agência Pública não se responsabiliza por quaisquer questões de saúde, previdência ou impostos por parte dos vencedores durante a duração do programa.
As pessoas selecionadas também se comprometem a participar de um evento presencial de abertura do trainee em São Paulo, no mês de agosto.
Dos benefícios
Bolsa-auxílio para participantes que moram em São Paulo e Brasília: Valor mensal de R$ 2.000,00 por quatro meses (período de aulas online e vivência na redação);
Bolsa-auxílio para participantes que venham de fora de São Paulo e de Brasília: Valor de R$ 2.000,00 por quatro meses. Nos três meses presenciais, terão direito a um adicional de R$ 2 mil mensais, como ajuda de custo para cobrir gastos com mudança e moradia (totalizando R$ 4 mil por mês). Para esses participantes, o programa também vai cobrir os gastos com passagens para deslocamento até São Paulo ou Brasília;
Desenvolvimento de carreira e recolocação profissional: Mentoria individual e sessões coletivas com foco em como se inserir no mercado de trabalho jornalístico;
Certificação: Certificado de conclusão do programa emitido pela Agência Pública;
Rede de Fellows da Pública: Possibilidade de participar da Rede, junto com jornalistas renomados;
Equipamentos: doação de um notebook para cada trainee.
No caso de não comparecimento injustificado às atividades, os auxílios serão suspensos, e o montante recebido desde o início do programa deverá ser devolvido.
Da estrutura do programa
Agosto: Remoto. Quatro semanas de aulas online e exercícios práticos, de segunda a sexta, em período integral (manhã e tarde). Trainees vão aprender sobre jornalismo investigativo, de dados, podcasts, novas narrativas, clima e meio ambiente, direitos humanos e mais. Nesse período, participantes vão pensar em uma proposta de projeto aprofundado, a ser desenvolvido durante o programa. O projeto pode ser uma grande reportagem, um vídeo, um roteiro de podcast, um novo site, uma campanha de impacto, entre outros. A ideia é que cada trainee tenha liberdade de inovar e pensar em novos produtos e formatos.
Setembro, outubro e novembro: Presencial. Prática presencial de três meses nas redações da Pública em São Paulo ou em Brasília (horário integral, até 6 horas diárias). Trainees seguem com aulas online às sextas-feiras, mas com carga horária reduzida em relação ao primeiro mês. Participantes terão ainda tempo para desenvolver seus projetos aprofundados, com a ajuda de um mentor. Pessoas alocadas em São Paulo vão participar de um rodízio durante o período presencial na redação, para que tenham a oportunidade de testar diferentes áreas do jornalismo dentro da Agência Pública (Redação, Podcasts e Comunicação). Pessoas alocadas em Brasília vão passar os três meses na Redação, onde não há divisão por editorias, mas, por outro lado, vão estar no centro da cobertura de poder durante o período eleitoral.
Dezembro e janeiro: Remoto. Finalização dos projetos aprofundados, mentorias individuais e sessões online de desenvolvimento de carreira e networking.
Regras para participação do Curso Pública de Jornalismo
As pessoas aprovadas para o curso assumirão os seguintes compromissos:
Participar das aulas online, de segunda a sexta, em período integral (manhã e tarde);
Participar de três meses de atividade prática presencial, de segunda a sexta, nas redações da Pública em São Paulo e Brasília, em período integral (manhã e tarde);
Participar de sessões online de mentoria profissional e desenvolvimento de carreira;
Compor, realizar e entregar projetos individuais, que deverão ser elaborados ao longo do curso, bem como exercícios propostos durante o treinamento;
Participar de evento de abertura do programa, com datas a serem anunciadas antecipadamente.
Respeitadas todas as etapas previstas neste regulamento, as pessoas participantes também receberão um certificado. Os que, após a etapa presencial, encontrarem colocação profissional poderão ser dispensados de parte das atividades dos meses 5 e 6, a critério da coordenação do programa.
Os autores e autoras cederão à Agência Pública o direito sobre qualquer conteúdo de sua autoria realizado no âmbito do Curso, que poderá ser publicado pela Agência Pública em seu site e em outros canais de comunicação, bem como ser reproduzido em outros produtos (livro, web, cd etc.). Os materiais serão registrados com licença Creative Commons e, portanto, após a publicação pela Agência Pública, poderão ser republicados livremente por outros veículos sem ferir direitos autorais.
Os profissionais que concluírem o projeto serão convidados a participar da Rede de Fellows da Agência Pública. A rede é formada por jornalistas que já foram bolsistas ou colaboraram com a Pública de outras formas. É um espaço de troca, colaboração, networking e crescimento para esse grupo de repórteres diversos e experientes, que se dedicam ao jornalismo investigativo e aos direitos humanos. As pessoas participantes recebem oportunidades de estudos e de trabalho, além de convites para cursos, eventos online, encontros com a redação e debates com convidados.
Não há expectativa de contratação de trainees ao final do programa. O Curso tem como objetivo formar jornalistas comprometidos com o interesse público e com a defesa dos direitos humanos, bem como contribuir para ampliar a diversidade no jornalismo brasileiro. Trainees podem ser considerados para vagas futuras na Pública, mas não há um compromisso de contratação ao final do programa.
Cronograma
Inscrições
Abril-Maio
Seleção
Abril, Maio e Junho
Resultados
Julho
Curso online
Agosto
Etapa presencial em São Paulo e Brasília
Setembro, Outubro e Novembro
Mentoria e aconselhamento profissional
Dezembro e Janeiro
Encerramento
Janeiro
Fica estabelecido que eventuais alterações no cronograma poderão ser realizadas a critério exclusivo da instituição organizadora, por motivos de ordem técnica, administrativa ou de força maior, sendo assegurada a devida comunicação aos participantes.
Sobre a Fundação Itaú
A Fundação Itaú busca inspirar e criar condições para promover o desenvolvimento de cada brasileiro como cidadão capaz de transformar a sociedade. Por meio dos três pilares – Itaú Cultural, Itaú Social e Itaú Educação e Trabalho –, a Fundação Itaú dedica programas, ações e articulação com diferentes setores da sociedade para atender às urgências do Brasil contemporâneo.
Com a visão de que o aprendizado abre caminhos e de que todos/as os/as estudantes podem prosperar e construir seus próprios futuros, a Imaginable Futures apoia organizações que promovem e fortalecem a equidade na educação. Acreditamos que mudanças duradouras são impulsionadas pela colaboração. Atuamos em parceria com comunidades, organizações e outros financiadores no Brasil, no Quênia e nos Estados Unidos, para romper padrões de desigualdade e impulsionar transformações significativas.