O vereador Aldecyr Maldonado (PL) foi baleado no fim da noite desta terça-feira (7). Assessores afirmaram à PM que o político trocou tiros com o criminoso
São Gonçalo é famosa por ser a segunda maior cidade do Estado do Rio em população, com cerca de 896 mil habitantes, ficando só atrás da capital (Rio). Mas, nos últimos anos, o município da Região Metropolitana tem ganhado as manchetes por causa do alto índice de violência, que atinge não só os moradores comuns, mas também autoridades públicas, como a juíza Patrícia Acioli, executada por policiais militares, em agosto de 2011.
Nos últimos anos, desde 2003 até junho deste ano, foram registrados 6.956 homicídios em São Gonçalo. Isso representa perda de 0,8% da sua população, quase 1% por morte violenta. Entre 1999 e 2011, o número de elucidação de homicídios em São Gonçalo era de 4 a 6%, segundo o ISP e o Ministério Público.
Agora, o conhecido vereador de São Gonçalo, Aldecyr Maldonado (PL) morreu após ser baleado no fim da noite desta terça-feira (7), na porta de casa. O parlamentar tinha 61 anos e era conhecido como Cici Maldonado. Ele deixa esposa e três filhas.
A Prefeitura de São Gonçalo afirmou se tratar de uma tentativa de assalto. Já a Polícia Civil do RJ não descarta nenhuma hipótese. Existem ao menos 5 câmeras que podem ter registrado o episódio. A PM reforçou o patrulhamento na região.
Maldonado foi nascido e criado no bairro do Gradim, em São Gonçalo. Durante sua vida escolar, passou por instituições públicas. Profissionalmente, primeiro trabalhou numa empresa, por 13 anos, e depois optou por montar o próprio negócio.
Somente na última eleição conseguiu seu primeiro mandato como vereador, ao concorrer pelo Partido Liberal (PL) e receber 2.425 votos. Maldonado assumiu em 2021.
Mas a questão principal é definitivamente não se trata de mais um crime “comum” no Rio de Janeiro. As características dão a entender, segundo especialistas ouvidos pela nossa reportagem, que se trata de crime político.
Cerca de 43 políticos foram assassinados em 20 anos no estado do Rio. São homicídios — em geral execuções brutais, com emboscadas, homens encapuzados e múltiplos disparos — nos quais há indícios concretos de atuação de milicianos, traficantes, contraventores do jogo do bicho ou grupos de extermínio. Na média, é como se uma pessoa ligada a atividades políticas fosse morta a cada seis meses.
A violência contra políticos se concentra em anos eleitorais, períodos que correspondem a dois terços dos casos (29). Os ataques são ainda mais frequentes em pleitos municipais, como o de outubro próximo, que somam quase três vezes mais assassinatos do que as eleições gerais: 21 e oito, respectivamente.
Como exemplos da impunidade que atinge o Rio, nos últimos 25 anos, três vereadores foram mortos em São Gonçalo durante o exercício de seus mandatos. Dois dos crimes, ocorridos em 2003, acabam de prescrever, 20 anos depois, sem que nenhum suspeito tenha sido indiciado, incriminado ou preso.
A população já não aguenta mais tanta violência. Se mata vereador na porta de casa, imagine o cidadão comum? Até quando?
São Gonçalo pede socorro!
